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19/08/08 - Terça-feira
Cinema
Gramado consagra "Nome Próprio"
Filme de Murilo Salles ganhou três Kikitos, entre eles os de melhor filme e melhor atriz
SILVANA ARANTES Da Folha de S. Paulo
O júri oficial do 36º Festival de Cinema de Gramado deu a "Nome Próprio", de Murilo Salles, o Kikito de melhor filme, na noite do último sábado. "A Festa da Menina Morta", de Matheus Nachtergaele, recebeu o Prêmio Especial do Júri e os troféus de melhor filme segundo a crítica e o público. Domingos Oliveira foi o melhor diretor, por "Juventude", "sobre o universo psicológico do homem de 70 anos", segundo o cineasta.
Todos os demais prêmios da competição entre seis longas nacionais foram atribuídos aos filmes de Salles, Nachtergaele e Oliveira. Os concorrentes "Netto e o Domador de Cavalos", de Tabajara Ruas, "Pachamama", de Eryk Rocha, e "Vingança", de Paulo Pons, saíram sem troféus. Quinto longa de Salles, "Nome Próprio" estreou no mês passado em dez cidades brasileiras. Foi visto por aproximadamente 25 mil pessoas.
Para o diretor, os anêmicos resultados de bilheteria do cinema nacional neste ano "não são culpa dos filmes, mas da política". Ele cita o valor dos ingressos, "a R$ 20", e o tamanho do parque exibidor brasileiro, de "2.000 salas" como exemplos de que "falar em economia do cinema no Brasil é cinismo".
Salles diz que inscreveu o filme à disputa em Gramado mesmo após seu lançamento em circuito comercial porque sentia-se "devedor de um prêmio" à atriz Leandra Leal. Ela vive a protagonista Camila, jovem blogueira que anseia escrever seu primeiro livro, enquanto atravessa crises amorosas. "Nome Próprio" foi submetido a festivais estrangeiros, que o recusaram. Salles vê na rejeição "racismo das curadorias internacionais", que enxergariam "a angústia como um problema dos brancos" e estariam interessados apenas em filmes brasileiros sobre a miséria econômica e social da população, predominantemente negra.
Gramado saldou a dívida do cineasta com Leandra Leal, dando a ela o Kikito de melhor atriz. "Amo ser atriz. Agradeço muito por ganhar um prêmio por fazer o que gosto", disse ela. O melhor ator foi Daniel Oliveira, pela interpretação do líder religioso Santinho de "A Festa da Menina Morta". Quando subiu ao palco para receber seu troféu, Oliveira disse: "Está faltando perna. Está faltando braço. Estou me sentindo aquele cara que ganhou os 50 metros rasos [o nadador brasileiro César Cielo, medalha de ouro em Pequim]".
O longa de Nachtergaele, que trata da superação da dor e da religiosidade como mecanismo de produção de sentidos para a vida e a morte, esteve na mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes, em maio passado. Em Gramado, o filme teve a primeira exibição pública no país. "Está sendo bem mais bonito do que jamais imaginei. Obrigado, Gramado", disse Nachtergaele, ao receber seu quarto e último troféu da noite -o Prêmio Especial do Júri.
Oliveira agradeceu o Kikito de melhor diretor citando a acolhida que "Juventude" teve da platéia -a mais calorosa do festival. "A emoção que tive no dia em que o filme passou aqui foi inédita", afirmou. Na disputa entre os cinco longas estrangeiros, o vencedor foi o mexicano "Cochochi", produzido pelo ator Gael García Bernal e dirigido por Israel Cardenas e Laura Guzman.
A crítica elegeu o colombiano "Perro Come Perro" (cão come cão), e o público, o argentino "Por sus Propios Ojos" (com seus próprios olhos).
No Festival de Gramado, o júri popular não é formado pela totalidade da platéia das sessões competitivas, mas sim por um colegiado de 14 leitores de jornal, selecionados em diversos Estados.
Postado por Eduardo Horácio em 19/08/08 às 09:47.
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30/07/08 - Quarta-feira
Cinema
Sem julgamentos apressados
Foto: Divulgação |
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| A protagonista do filme é Leandra Leal, cada vez melhor atriz |
Há quem diga que Nome Próprio, filme de Murilo Salles em cartaz nos cinemas, tenha clichês demais.
Quem aborda a relação das pessoas com a internet muitas vezes é tentado a cair nesse erro.
Mas a história - e sua protagonista - tem complexidades demais para um clichê. Aliás, o filme desmonta vários.
Nome Próprio faz um recorte histórico na vida da escritora Clarah Averbuck. Quem a interpreta é Leandra Leal, cada vez melhor atriz.
Clarah é da primeira leva brasileira de escritores nascidos na internet. Foi "revelada" na época do saudoso Cardosonline, distribuído por e-mail nos anos 90. Depois, consolidou-se com dois blogs, um deles já falecido (leia o antigo aqui e o novo aqui) e três livros.
Voltando ao filme, não há compromisso literal com a realidade - e nem se faz propaganda disso. No filme, Clarah recebe o nome de Camila Lopes. E a própria autobiografia que Clarah escreveu - e na qual o filme foi baseado - foi taxada por ela mesmo de ficcional.
Temos um olhar narrativo predominante. Em geral, o filme consegue fazer com que o público mergulhe dentro dos pensamentos instáveis de uma futura escritora que faz de tudo para não encarar a vida lá fora. Em outros momentos, o público toma distância. As razões que fazem o público entrar-e-sair (aderir-e-rejeitar) são boas amostras da riqueza do filme.
Como brinde, é interessante observar o resgate de como era a internet em 2001. Parece que aquilo ocorreu há 50 anos. Murilo Salles conseguiu passar, graças também à interpretação de Leandra Leal, uma forma de ver o mundo bastante recorrente por aí, mas que ainda não havia sido tratada no cinema sem julgamentos apressados.
Nome Próprio (Brasil, 2008) Diretor: Murilo Salles Em cartaz: no Lumière Bougainville Avaliação: ótimo
Postado por Eduardo Horácio em 30/07/08 às 02:54.
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30/07/08 - Quarta-feira
Jornal X
Mudanças no blog
A partir de amanhã, a política vai sumir deste blog. No seu lugar, entram cultura, esportes, política internacional e outros assuntos.
Antes de seguir, peço duas licenças ao leitor.
A primeira, para falar em primeira pessoa. A segunda, para me alongar mais do que deveria, só para que não pairem confusões.
A política goiana some do blog porque amanhã tomo posse em um cargo jornalístico na Assembléia Legislativa, graças a um concurso realizado em 2006.
Falar dos políticos do Estado e ser funcionário de uma casa política (como é a Assembléia) é algo incompatível. Não critico quem faz. É algo bem particular - daí inclusive eu usar a primeira pessoa.
E antes que alguém interprete errado, nada tem a ver com caráter, com experiência, isenção, cabelos brancos, nada disso. Sejamos menos pretenciosos. É bem menos do que isso.
É que julgo as duas funções conflitantes. Água e óleo. Só isso. Por mais que eu diga que serei isento nos dois ambientes, sempre poderei dar uma escorregada. Quem não daria? E quem garante que não usarei as informações de um lugar no outro? O nome disso é tráfico de influência. E o deputado, quando vier falar comigo, vai me ver como repórter de um jornal ou funcionário da Assembléia?
Se recebo uma informação na Assembléia, devo publicá-la? Claro que não. Mas como diferenciar uma informação que recebo? Como saber se ela vem do fato de eu trabalhar na Assembléia ou do mérito de ser um jornalista razoável? Impossível. Na dúvida, melhor separar logo as duas coisas.
Daí que minha coluna na Tribuna do Planalto também deixa de ser publicada. A última foi no domingo passado, dia 27/07.
De resto, é isso. Chega de primeira pessoa.
Alguém viu o filme Nome Próprio?
Falarei dele no próximo post.
Postado por Eduardo Horácio em 30/07/08 às 02:52.
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28/07/08 - Segunda-feira
Jornalismo
Outro não-jornal a ser lançado
Quem informa é o jornalista Fleurymar de Souza: a Jaime Câmera vai lançar um jornal diário em Anápolis, nos mesmos moldes do Daqui, que circula em Goiânia.
Postado por Eduardo Horácio em 28/07/08 às 00:50.
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27/07/08 - Domingo
Política
Grampos, algemas e elites
Foto: Leo Iran |
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| Para colunista da Folha, Iris é um tipo de "capitão-do-mato" |
Colunista da Folha relembra frase infeliz de Iris Rezende e diz que ele era "um tipo de capitão-do-mato, testemunha involuntária da cegueira da Justiça numa época em que o tucanato todo-poderoso reservava o ministério da Justiça para acertos com a fisiologia e o atraso".
Por Fernando de Barros Hoje na pág. 2 da Folha de SP
Alçado ao Ministério da Justiça por FHC em 1997, o então senador goiano Iris Rezende também dizia que "o crime, muitas vezes, é inevitável".
Rezende era um tipo de capitão-do-mato, testemunha involuntária da cegueira da Justiça numa época em que o tucanato todo-poderoso reservava aquela pasta para acertos com a fisiologia e o atraso.
SÃO PAULO - "Chegamos a um ponto em que temos de nos acostumar com o seguinte: falar no telefone com a presunção de que alguém está escutando". Tarso Genro tem companhia, além do colega José Múcio, que comparou seu celular a uma "rádio comunitária".
Alçado ao Ministério da Justiça por FHC em 1997, o então senador goiano Iris Rezende também dizia que "o crime, muitas vezes, é inevitável".
Rezende era um tipo de capitão-do-mato, testemunha involuntária da cegueira da Justiça numa época em que o tucanato todo-poderoso reservava aquela pasta para acertos com a fisiologia e o atraso.
Evoluímos. No lugar do capataz, temos um falastrão do direito a comandar a temida PF. Conceda-se ao ministro Genro, como atenuante, que fazia uma "boutade" quando disse à platéia que, sim, estamos todos virtualmente grampeados e a vida é assim mesmo, ora, ora.
Um consumidor (ou cidadão?) menos afeito a ironias poderá não gostar da piada e exigir indenização (do governo?, das telefônicas?).
Mas Genro devia falar muito sério quando disse que as elites dão ao país uma inestimável contribuição ao apontar "lacunas legais" e "abusos" da polícia, o que só fazem agora porque a PF chegou até seu quintal.
O ministro brinca de luta de classes enquanto o governo a que serve as acomoda. Lula trata suas elites a pão-de-ló. A faxina da PF parece, de resto, seletiva. Quem se lembra dos "aloprados"? No final, tanto som e tanta fúria talvez tornem o país mais espetacular do que justo.
Genro, porém, nos oferece um suflê requentado do marxismo de almanaque mastigado pela retórica do bacharel. Quer fazer da universalização das algemas uma metáfora dos novos tempos republicanos.
Talvez acredite pavimentar seu caminho para 2010. Mas convém combinar com o mundo real. Os corpos que vemos diariamente na TV sendo arrastados até os camburões mostram que algema, para bandido pobre, ainda é privilégio de poucos, só uma pulseirinha de luxo.
Leia a coluna de Fernando de Barros no sítio da Folha clicando aqui.
Postado por Eduardo Horácio em 27/07/08 às 21:37.
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27/07/08 - Domingo
Eleições 2008
Iris cresce até quando erra
Reprodução |
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| Edição da Tribuna desta semana mostra nova pesquisa Grupom |
Até os iristas reconhecem: nos primeiros dias de
campanha eleitoral em Goiânia, o PMDB derrapou. Não lançou idéias novas, foi
pautado pelos adversários e se limitou a responder às provocações do pepista
Sandes Júnior.
Ainda assim, os números da nova rodada da pesquisa Grupom apontam um favoritismo
sem precedentes de Iris Rezende, candidato à reeleição. Se a eleição fosse hoje,
Iris teria 70,8% dos votos - ou 82,4% dos votos válidos. Nem em julho de 1998,
quando Iris foi candidato a governador com amplo favoritismo, seus índices eram
tão bons. Naquele mês e ano - exatos dez anos atrás - o peemedebista alcançava
menos de 70% dos votos (sofria leve queda em relação ao mês anterior).
Há, claro, outra diferença significativa entre 1998 e 2008. Há dez anos,
Iris acabou perdendo a eleição. Agora, dificilmente isso volta a ocorrer. Mas há
cuidados que Iris deve tomar. O primeiro deles é virar o disco da campanha e
deixar de ser pautado por Sandes. O peemedebista cresceu muito em julho também
porque há menos candidatos do que havia em abril, data da última pesquisa
Grupom.
A vitória de Iris é uma certeza de todos os aliados e
adversários. Por isso mesmo, os aliados estão trabalhando pouco, enquanto os
adversários criam bases para tentar derrubar - ou, pelo menos, arranhar - a
popularidade de Iris.
Alguns erros de 1998, Iris volta a cometer agora.
O primeiro e mais grave deles é não comparecer aos debates. Em 1998 fugiu de
todos no primeiro turno e deu desculpas esfarrapadas, como agora.
No debate de
terça-feira, 22, na Rádio 730, o que se viu foi a união de todos os adversários
contra Iris. Durante algumas horas, Iris apanhou como nunca e não teve como se
defender - porque abriu mão dessa oportunidade. A curto prazo, a ausência faz
pouco efeito. Mas ao longo da campanha - que terá dezenas de debates - o efeito
negativo vira uma bola de neve, muitas vezes incontrolável.
Se der uma
olhada nos gráficos das pesquisas de 1998, Iris vai notar que sua queda só
começou a ser acentuada na segunda quinzena de setembro.
Naquela eleição, Iris
faltou a 18 debates no primeiro turno. No dia 15 de setembro de 1998, Iris já
perdia para Marconi Perillo entre os eleitores com curso superior. Quinze dias
depois, Marconi passaria Iris entre todos os eleitores. No segundo turno, Iris
resolve ir aos debates. Já era tarde demais. Iris deveria se espelhar mais
em 2004 e menos em 1998.
Afinal, em 2004, Iris também liderou as pesquisas do
início ao fim da campanha - mas não faltou a um debate sequer. E mais: derrotou
todos os adversários (especialmente Pedro Wilson, do PT) em todos os confrontos.
Não cometeu uma gafe e pautou os oponentes - principalmente nos temas transporte
coletivo e pavimentação asfáltica. Se em 2004 foi a todos os debates e foi
eleito, por que se ausentar agora? Excesso de confiança?
Outro erro da
campanha peemedebista que começa a ser visualizado são os candidatos a vereador.
Hoje, nenhum deles pede votos para Iris. Exemplo semelhante ocorreu em 1998. O
PMDB fez a maior bancada da Assembléia Legislativa naquele ano, mas não
conseguiu eleger o governador. Esse é um erro fácil de ser corrigido.
Por
último, Iris novamente faz campanha confiando nos amigos.
Há um ponto positivo:
a confiança. Há um negativo: o amadorismo.
Quem novamente faz sua campanha
eleitoral é o marqueteiro Hamilton Carneiro. Em 1998, Carneiro foi desastroso do
início ao fim. Marconi batia em Iris o tempo todo, mas Iris só começou a
responder quando a eleição já estava perdida. O desastre foi tão grande que, no
segundo turno, Carneiro foi dispensado e a equipe de Duda Mendonça assumiu seu
posto.
Em 2004, Iris é que deu o mote da campanha - e não sua equipe de
marketing. Sua intuição se sobrepôs ao marketing de Carneiro, o que fez com que
vencesse a eleição. Carneiro também errou há dois anos, na campanha de Maguito a
governador, tanto que também foi substituído no segundo turno - quando a derrota
já estava consolidada. Iris, no entanto, prefere assessores de confiança - em
vez de apostar no profissionalismo. Pode dar certo, mas é sempre um risco.
Postado por Eduardo Horácio em 27/07/08 às 09:53.
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22/07/08 - Terça-feira
Eleições 2008
Na lista-suja, só Iris aparece
Na polêmica "lista-suja", preparada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que varreu a folha corrida de 350 candidatos a prefeito e vice-prefeito nas 26 capitas brasileiras, apenas um de Goiás tem a "ficha suja", segundo os critérios da AMB.
É o prefeito de Goiânia Iris Rezende (PMDB), candidato à reeleição este ano.
O processo contra Iris é de improbidade administrativa, relativo ao ano de 2006. Foi julgado improcedente em primeiro grau. Tem a ver com uma invasão tida como irregular de uma área pública no Jardim Liberdade, em Goiânia. Como o Ministério Público recorreu, a ação aguarda decisão do Tribunal de Justiça de Goiás.
Para a elaboração do levantamento da AMB, publicado hoje, os magistrados consideraram apenas processos de iniciativa do Ministério Público e ações de improbidade administrativa.
A AMB diz em sua página que "todos os dados disponibilizados foram rigorosamente checados para evitar que informações incorretas venham a prejudicar qualquer candidato".
No entanto, na mesma página em que essa informação é dita, lá aparece que Iris é filiado ao PP - e não ao PMDB.
Para ter acesso à lista completa, vá ao sítio da AMB. Basta clicar aqui.
Postado por Eduardo Horácio em 22/07/08 às 23:53.
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20/07/08 - Domingo
Eleições 2008
Anápolis: imprevisível como sempre
A sucessão de Anápolis só tem uma semelhança com as anteriores realizadas na cidade: é imprevisível.
Os números da pesquisa Grupom divulgados na Rádio 730 na Tribuna do Planalto, se lidos na entrelinhas, reforçam essa idéia.
Faltando menos de 75 dias para a eleição, há ainda quatro candidatos no páreo: Frei Valdair (PTB), Onaide Santillo (PMDB), Antonio Gomide (PT) e Ridoval Chiareloto (PSDB).
Valdair e Onaide estão no pelotão da frente, ambos com 30,3% e 27,4% das intenções de voto, respectivamente. Mais de 15 pontos porcentuais atrás estão Gomide (12,2%) e Ridoval (10,7%).
Todos os quatro, no entanto, têm ainda chances (nada remotas) de ir para o segundo turno (cada vez mais provável), a ser realizado dia 26 de outubro.
É preciso ver, candidato a candidato, singularidades que fazem um nome ter fôlego e, outro, nem tanto.
Valdair, por exemplo, conta com a boa imagem passada em 2004, quando quase foi ao segundo turno. Hoje, líder nas pesquisas, tem a situação aparentemente facilitada com a saída de Otoni (irmão de Gomide) da disputa. De fato, sua potencialidade de voto estimulado alcança 49%, quando se leva em consideração as quatro primeiras indicações do eleitor.
Valdair, no entanto, perde para Gomide quando se observa apenas os eleitores com curso superior - justamente aqueles que formam a maioria dos formadores de opinião. A rejeição ao nome de Valdair também não é grande, mas é maior do que a rejeição a Gomide, por exemplo.
Onaide, empatada tecnicamente com Valdair, merece ser vista com desconfiança.
Nas duas últimas eleições, largou bem (até mesmo liderando as pesquisas), mas perdeu o poder de fogo no final, não ficando nem em segundo lugar.
No levantamento da Grupom, sua potencialidade de voto estimulado também alcança 49%, quando são levadas em consideração as quatro primeiras indicações do eleitor. Mas índice semelhante também foi exibido em 2004 - e sua campanha não decolou.
A candidata peemedebista ainda carrega a rejeição de seu marido (Adhemar), ex-prefeito da cidade. De todos os nomes, Onaide é a mais rejeitada. 26,4% dos eleitores dizem que jamais votariam nela. Em dois meses, sua rejeição cresceu mais de 6 pontos porcentuais. Não é um número assustador - ao contrário, é até reversível -, mas vai depender da capacidade de Onaide de criar fatos novos e mudar seu próprio estilo.
Se continuar seguindo o rumo e as idéias usadas nas campanhas anteriores, o eleitor vai logo sentir o cheiro de naftalina em Onaide - e sua rejeição crescerá ainda mais.
Há um ponto a favor de Onaide que não deve ser desprezado. De todos os nomes, é o mais experiente. Cansado de aventuras, o eleitor pode achar que Valdair, Gomide e Ridoval não estão preparados.
Há, ainda, o efeito Iris - que pode ecoar em Anápolis e levantar o ânimo do PMDB. Bem colocado nas pesquisas em Goiânia, Iris pode fazer com que o PMDB volte a ser forte onde não era há tempos, como é o caso de Aparecida com a candidatura de Maguito Vilela.
Gomide, do PT, aparenta não ter fôlego para a campanha, mas alguns detalhes das pesquisas apontam para o contrário.
Na última pesquisa Grupom, seu irmão Rubens Otoni ainda aparecia como candidato, com 23,4% das intenções de voto. Hoje, Gomide herda pouco mais da metade dos votos do irmão (12,2%).
Não é um mau início. Gomide tem um aspecto importante a seu favor: entre os eleitores com curso superior, lidera com 23,3%. Na fase atual da campanha, é um índice que deve ajudá-lo.
Por último, tem a menor rejeição de todos os candidatos. Não dá para dizer que ele é favorito, mas é possível dizer que tem boas chances de estar no segundo turno.
Já Ridoval, do PSDB, é o nome que mais surpreende. Está em quarto lugar, mas tem mais votos do que Valdair e Gomide no centro da cidade, por exemplo.
O tucano também tem rejeição baixa - só a de Gomide consegue ser menor. Por último, Ridoval tem o apoio de Marconi Perillo, que promete fazer campanha para ele. Marconi teve votação recorde em Anápolis quando foi candidato a governador em 2002 e melhorou os números em 2006, quando foi eleito para o Senado. No mínimo, é um cabo eleitoral que todo candidato deseja.
Apesar dos números da estimulada apontarem hoje para um segundo turno entre Valdair e Onaide, é bom estar atento ao segundo pelotão, onde figuram Gomide e Ridoval.
Todos os quatro têm boas chances de ir ao segundo turno. Além de todos os pontos fortes e fracos de cada candidato, a facilidade com que o eleitor anapolino muda de voto - algo comprovado em 2000 e 2004 - só vem reforçar ainda mais essa tese.
Postado por Eduardo Horácio em 20/07/08 às 14:20.
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20/07/08 - Domingo
Política
Meirelles quase perdeu BC
Lula decidiu trocá-lo quando Meirelles o procurou para dizer que seria candidato a governador em 2010
KENNEDY ALENCAR colunista da Folha Online
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, quase deixou o cargo na virada de abril para maio. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu trocá-lo quando Meirelles o procurou para dizer que pensava em deixar o banco em 2009 a fim de disputar o governo de Goiás no ano seguinte. O presidente disse que seria melhor antecipar a mudança. O presidente do BC ficou surpreso, mas não teve como voltar atrás. E começou a dizer a pessoas próximas que deixaria o cargo.
Mais uma vez, a sorte, ou o melhor, o azar do governo Lula salvou Meirelles. No primeiro mandato, apareceu uma crise todas as vezes em que Lula e os opositores da política monetária se julgavam fortes para atacar o BC.
Dessa vez, Meirelles foi salvo por um fator econômico: a disparada da inflação levou Lula a desistir da mudança. O presidente avaliou que a mudança poderia contaminar as expectativas de inflação para 2008 e que poderia indicar algum relaxamento na intenção de combater a alta dos preços até o final de seu mandato, em 2010.
Havia duas opções na cabeça de Lula: indicar o diretor de Normas do Banco Central, Alexandre Tombini, que tem se dado melhor com a Fazenda nas discussões econômicas, ou tentar convencer o relutante economista Luiz Gonzaga Belluzzo a assumir o posto.
Na hipótese Belluzzo, havia chance de o superávit primário ser elevado para, pelo menos, 4,5% do PIB (Produto Interno Bruto). Seria uma forma de evitar reação negativa do mercado a um economista visto como desenvolvimentista e descrito por ele próprio como "keynesiano". Belluzzo tem defendido um aperto fiscal até maior nas reuniões internas do governo, das quais participa na condição de conselheiro. Lula já o convidou a assumir postos na área econômica, mas ele recusou.
Na alternativa Tombini, o governo avalia que o mercado o receberia bem. A quase saída de Meirelles foi muito influenciada pela péssima relação dele com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Os dois sempre se estranharam, mas na virada de abril para maio, quando o Brasil recebeu o grau de investimento, os dois viveram seu pior momento.
Para Meirelles, Mantega quis faturar politicamente o grau de investimento (grosso modo, um selo internacional de que o Brasil é um cumpridor de seus compromissos externos). O presidente do BC ficou chateado. Chegou a dizer a Lula que Mantega lhe dava chá de cadeira de horas e que demorava dias a dar retorno a um telefonema. Meirelles falou que se sentia desrespeitado pelo colega da Fazenda.
Mantega bombardeava Meirelles. Principal argumento: o BC teria errado ao não reduzir os juros mais rapidamente quando podia e tinha de voltar a subir a taxa Selic no primeiro semestre devido à alta da inflação.
Lula preferiu manter Meirelles no posto, deixando claro que deseja que o Banco Central atue para que a inflação volte ao centro da meta oficial do governo, que é de 4,5% ao ano pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Reservadamente, o Planalto já admite que a inflação deverá superar o teto da meta oficial, que é de 6,5% ao ano. No sistema de meta de inflação do Brasil, há um intervalo de dois pontos percentuais para cima ou para baixo em relação ao centro de 4,5% a fim de acomodar choques.
Na última semana, um auxiliar de Lula disse que Meirelles fica e mais forte.
Clique aqui e leia a matéria na Folha
Postado por Eduardo Horácio em 20/07/08 às 13:08.
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12/07/08 - Sábado
Eleições 2008
E não é que Sandes está certo?
Candidato do PP em Goiânia acerta no diagnóstico e nas propostas para o trânsito. Problema é acreditar nele. O que o pepista diz hoje é exatamente o contrário do que defendeu em 2004
Em uma semana de campanha eleitoral, uma surpresa: Sandes Júnior. O candidato do PP a prefeito de Goiânia largou bem e, durante a semana, conseguiu mais espaço na mídia do que seus adversários, especialmente o candidato à reeleição Iris Rezende (PMDB).
Sandes está pautando a eleição de 2008, exatamente o que Iris fez na largada da campanha de quatro anos atrás. A maior surpresa, no entanto, é o fato do discurso de Sandes ter lógica própria e estar atualizado com o resto do mundo, diferentemente do que ocorreu quatro anos atrás.
Nesta primeira semana, Sandes propôs medidas precisas para o trânsito da capital. Uma delas: a substituição da Superintendência Municipal de Trânsito (SMT) pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o que já ocorre no Brasil todo.
Claro que a mudança não tem sentido se for só nominal. A questão principal é fazer com o que o novo órgão seja estritamente técnico, que planeje rumos a longo prazo e que todos os cargos sejam ocupados por profissionais concursados, evitando interferência política.
A SMT e a CMTC, nos moldes de hoje, não passam de órgãos paliativos. A SMT nas mãos de Iris tem proposto mudanças que só priorizam o trânsito dos carros (em vez de pedestres), não pensa suas obras em conjunto com entidades do meio-ambiente e faz recapeamentos mal-feitos (que vão destruindo qualquer meio-fio).
Entre as medidas populistas que priorizam os carros, as principais são:
1) construções de marginais, viadutos e trincheiras: obras desse tipo tornam a cidade refém de obras semelhantes. Basta ver o caso de São Paulo, por exemplo. A cada novo viaduto, o trânsito fica mais veloz no início e lento no médio prazo. A marginal Botafogo, em Goiânia, é um exemplo. Foi uma obra feita exclusivamente para carros que, hoje, é lenta em vários horários de pico;
2) implantação da onda verde: desde que Iris assumiu a prefeitura, o trânsito em avenidas como Castelo Branco e Assis Chateaubriand tem ficado mais rápido - e provocado, por conseqüência, acidentes mais graves. O motivo é a onda verde. Se um carro correr acima de 80 km/h, ele consegue pegar quase todos os sinais abertos. O pedestre não foi levado em consideração. Mas é uma medida populista, que agrada em cheio a classe média goianiense, apaixonada por automóveis.
Já a CMTC não enfrenta, de verdade, as empresas de transporte coletivo. Funciona muito mais como uma babá delas. Como a amizade de Iris com empresários do setor é forte, os interesses dos empresários muitas vezes se sobrepõem aos do cidadão.
A melhoria no transporte coletivo é uma promessa que Iris não conseguiu cumprir. Se os cargos da CMTC também fossem ocupados por técnicos, certamente a situação seria bem melhor.
Há, ainda, outro elogio que deve ser feito a Sandes: a recusa ao discurso fácil da "indústria da multa" que ele mesmo adotou em 2004.
Afinal, se há uma indústria no trânsito de Goiânia, essa indústria é da impunidade. Estudos da UCG estimam que menos de 1% de todas as infrações ocorridas no trânsito de Goiânia recebem multas.
Exagero? Basta o leitor por uma cadeira na calçada e observar o trânsito da avenida 85 por 10 minutos. Anote quantas infrações você vê nesse período. Certamente, dezenas. Conte, agora, quantas receberam multas. Provavelmente, nenhuma. Logo se vê que, se há indústria, não é de multas.
E o metrô? Das propostas de Sandes, certamente a mais polêmica é a que envolve a construção de um metrô. É uma obra bastante cara - e que deve ser planejada a longo prazo. O que Sandes propõe inicialmente é que o metrô seja feito onde passam os ônibus do eixo Anhangüera. É a decisão mais sábia. Foi o que Henrique Santillo planejou para Goiânia 21 anos atrás, quando foi governador do Estado. Um metrô de superfície inicialmente no eixo Anhangüera teria custo mais baixo e impacto ambiental próximo de zero.
O que mais atrapalha Sandes, no entanto, é seu passado. Falta credibilidade. O que Sandes defende agora é exatamente o contrário do que ele propôs quatro anos atrás. Em 2004, Sandes falava em fazer "dezenas" de viadutos, elevados e trincheiras. Dizia, ainda, que Goiânia não deveria se preocupar com pedestres - porque eles eram raros.
E mais: era contra a construção do metrô e vivia propagando a lorota de que existe uma "indústria da multa" na capital.
Sandes dificilmente derrota Iris. Conquistar o voto da classe média é a sua maior dificuldade. Seu passado, como aqui já foi dito, é que o atrapalha.
Mas o candidato do PP terá saído vitorioso - e Goiânia, principalmente - se algumas das suas idéias forem adotadas pelos adversários, especialmente Iris Rezende, o virtual vencedor. Se as idéias de Sandes para o trânsito seguirem firmes - e ele continuar pautando a campanha eleitoral - o rumo do trânsito e do transporte público da cidade pode, enfim, começar a mudar.
Postado por Eduardo Horácio em 12/07/08 às 04:41.
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06/07/08 - Domingo
Eleições 2008
Tucanos e pepistas se distanciam
Por Fabiana Pulcineli Hoje em O Popular
A análise das candidaturas nos 15 maiores municípios do Estado mostra o distanciamento entre os dois principais partidos da base aliada ao governo estadual. PP e PSDB estão unidos em sete municípios e separados na mesma quantia.
Em Anápolis, o PP ensaiou apoiar Ridoval Chiareloto (PSDB), mas acabou ficando neutro na disputa majoritária, em respeito a Frei Valdair (PTB) e Rubens Otoni (PT).
Em pelo menos dois municípios em que tucanos e pepistas marcham juntos, houve grande resistência na união. Em Goiânia, o PSDB relutou em apoiar o deputado federal Sandes Júnior (PP) e, mesmo participando da chapa, não mostra entusiasmo para a campanha.
Já em Luziânia, a resistência é do PP em se empenhar pela reeleição do prefeito Célio Silveira (PSDB). Os pepistas chegaram a fechar aliança com o PMDB, que lançaria Edmar Braz, mas a candidatura não decolou. "A legenda está oficialmente com Célio, mas as lideranças não vão trabalhar pela vitória dele”, diz o secretário-geral do PP, Sérgio Lucas.
Os atritos entre PSDB e PP são fortes também em Rio Verde. Os tucanos estão na chapa do peemedebista Wagner Guimarães contra o pepista Leonardo Veloso, candidato do prefeito Paulo Roberto Cunha (PP).
Os dois partidos estarão em lados opostos também em Aparecida de Goiânia, Jataí, Caldas Novas, Trindade e Senador Canedo. Em Formosa, o PSDB regional decretou intervenção no partido local para impor apoio do prefeito Clarival Miranda ao candidato do PP, Pedro Ivo. Clarival, porém, conseguiu na justiça manter sua candidatura.
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Postado por Eduardo Horácio em 06/07/08 às 03:19.
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05/07/08 - Sábado
Eleições 2008
PP x PSDB é o tom de 2008
Terminada a pré-campanha, algumas constatações das eleições nas principais cidades do Estado. A principal: 1) Alcides e Marconi querem o fim um do outro nem que, para tanto, o PMDB tenha de vencer. O PP é adversário do PSDB em muitos municípios (caso de Rio Verde, Luziânia, Caldas Novas e Aparecida, por exemplo). O PSDB lança candidato próprio em mais de 140 cidades, tentando preparar o terreno para 2010.
Outras: 2) a redução de candidaturas se compararmos 2008 com 2004. Os partidos se aglutinaram mais; 3) A base aliada está unida em Goiânia porque tem certeza que vai perder e está fragmentada nas cidades em que acha que pode ganhar; 4) Em geral, o PMDB começa a campanha de 2008 bem melhor do que começou em 2004. É superfavorito em Goiânia, Aparecida e Rio Verde. Mas cometeu dois erros no funil pré-eleitoral: perder o PT (já entregue) Anápolis, Luziânia, Rio Verde e Aparecida e deixá-lo insatisfeito em Catalão; 5) PTB e PR se comportaram como sempre: negociaram, cidade a cidade, os apoios.
Uma a uma, como ficou o panorama nas principais eleições deste ano:
Goiânia O PMDB deu um baile nos adversários. Já está em campanha há meses. A coordenação da campanha de Iris Rezende já tem a cidade mapeada há tempos. PT e PR integram a aliança. Sandes Júnior reuniu PP, PSDB, DEM, PTB e PSB juntos - o que só foi possível porque todo mundo tem certeza que Iris já ganhou. Apesar disso, a eleição goianiense nunca é morna. O único candidato da esquerda na eleição (Martiniano Cavalcante, do Psol) deve crescer, mas é improvável que alguém atrapalhe a reeleição de Iris. Dependendo do rumo da campanha, Gilvane Felipe (PPS-PV) e Martiniano podem terminar a eleição na frente do pepista. Sandes que, em 2004, disse que não ia fazer campanha em julho porque o eleitor queria férias, vai repetir a "estratégia". Vontade de perder tem ou não tem limite?
Aparecida de Goiânia Assim como em Goiânia, o PMDB é amplo favorito. Maguito só perde se errar muito. O PP vai apoiá-lo, rachando a base. Alcides contraria o partido (pelo menos nas aparências) e apóia Marlúcio Pereira, da coligação que tem PR, PSDB, PTB e PT. PT? Sim, Maguito vacilou e perdeu o apoio dos petistas. A eleição será, certamente, a mais "suja" do Estado, a julgar pelas ameaças proferidas por Marlúcio em tão pouco tempo. Não é novidade: em 2004 foi assim. Já Maguito continua em repouso. Também não é novidade. Foi assim nas duas últimas eleições para governador.
Anápolis Aqui, PMDB e PT se atrapalharam. O combinado era que o PMDB indicasse o vice do PT. Com a desistência da candidatura de Rubens Otoni, o PMDB abandonou o PT e resolveu lançar Onaide Santillo pela enésima vez. O PT erra em não lançar Otoni (e, sim, seu irmão Gomide). O PMDB erra em lançar Onaide, que sempre larga bem e termina mal. Bom para Marconi, que tem dois candidatos: o favorito Frei Valdair (PTB) e o ressuscitado Ridoval Chiarelotto (PSDB). Também em Anápolis, Marconi fez as pazes com Ernani de Paula.
Catalão Com o favoritismo de Jardel Sebba (PSDB), imaginava-se que o PMDB fosse mais humilde. Mas, ao contrário, o prefeito Adib mandou o PMDB ir de chapa pura, desprezando o PT (forte em Catalão) que se ofereceu para ser vice. O PT, no entanto, segue na aliança. O candidato do PMDB será Velomar Rios. Já Jardel terá ao seu lado o PP e o DEM (que na última eleição apoiou Adib). Dos grandes municípios, é um dos poucos que PP e PSDB estão do mesmo lado.
Rio Verde Nessa cidade, a base rachou de vez. O PMDB deu um grande golpe nos adversários. Conseguiu ter o PSDB - de Padre Ferreira - na vice. O peemedebista Wagner Guimarães - que perdeu a última eleição por menos de 400 votos - é amplo favorito. O PP de Alcides e do atual prefeito Paulo Roberto Cunha está isolado. Leonardo Veloso (PP) pode até ganhar a eleição, mas começou perdendo na pré-campanha. Nem o apoio do PT terá.
Luziânia O PSDB parecia fadado ao fracasso. PMDB, PT e PP lançariam uma chapa forte. No entanto, o prefeito Célio Silveira (PSDB) conseguiu trazer o PMDB de volta para a chapa. Sem alternativa, o PP abandonou o projeto anti-tucano e aderiu a Célio Silveira.
Itumbiara O atual prefeito - e candidato à reeleição - José Gomes da Rocha (PP) terá 18 partidos em sua coligação e apenas um adversário, o sindicalista João Maria (PSOL). A eleição de José Gomes parece certa, mas não será morna, até porque o candidato do Psol terá muito tempo de televisão. Basta observar que, em 2004, o mesmo aconteceu em Luziânia em torno de Célio Silveira. No fim, o candidato do PT que concorreu contra Célio teve mais de 30% dos votos.
Jataí O prefeito de Jataí, Fernando Peres (PR), é candidato à reeleição com o apoio de 13 partidos. Mas o PMDB lançou o ex-prefeito Humberto Machado, com chapa puro sangue. A disputa - entre Peres e Machado - tende a ser uma das mais equilibradas, embora hoje Machado tenha vantagem nas pesquisas. O PSDB corre por fora com Vítor Priori e o PT lançou a ex-vereadora Maria Eusébia.
Postado por Eduardo Horácio em 05/07/08 às 03:23.
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29/06/08 - Domingo
Eleições 2008
Na reta final, Alcides fecha apoio de PSDB e PTB a Sandes
Com acerto de ontem, pepista chega à convenção com quase toda a base aliada ao seu lado
Bruno Rocha Lima Hoje em O Popular
O governador Alcides Rodrigues (PP) conseguiu dobrar o PSDB e o PTB e acertou ontem, durante almoço com lideranças tucanas e petebistas no Palácio das Esmeraldas, o apoio dos dois partidos à candidatura do deputado federal Sandes Júnior (PP) a prefeito de Goiânia. Com isso, Sandes vai à convenção de seu partido hoje, onde será oficializada sua candidatura, com o apoio de praticamente toda a base aliada.
Participaram da reunião com o governador a deputada federal Raquel Teixeira e o ex-prefeito Nion Albernaz (ambos do PSDB), o deputado federal Jovair Arantes (PTB), o então pré-candidato a prefeito pelo PTB, Talles Barreto, e o secretário extraordinário Roberto Balestra.
O acerto foi fechado sem que os tucanos conseguissem a contrapartida do apoio pepista aos candidatos do PSDB em Anápolis (Ridoval Chiareloto) e Luziânia (Célio Silveira). A costura das alianças casadas nos municípios, que incluia o apoio do PSDB à candidatura de Leonardo Veloso (PP) em Rio Verde, era uma das exigências dos tucanos.
Porém, a decisão do PSDB de apoiar o candidato do PMDB em Rio Verde, deputado Wagner Guimarães, contra o PP, e a desarticulação da aliança do PMDB com os pepistas em Luziânia (leia mais abaixo), foram interpretadas como uma reação tucana à relutância do Palácio das Esmeraldas em amarrar o apoio nos municípios.
Nos bastidores, lideranças tucanas criticam a decisão e falam em "apoio de braços cruzados” a Sandes. O deputado estadual Daniel Goulart afirmou ontem que vai solicitar ao partido autorização para apoiar Gilvane Felipe (PPS). “Vou conversar com meu partido e com o governador antes, mas, dependendo dos desdobramentos, vou caminhar com Gilvane”, disse.
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Postado por Eduardo Horácio em 29/06/08 às 01:22.
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28/06/08 - Sábado
Eleições 2008
Por que Iris é tão favorito?
Assim que Iris Rezende (PMDB) se elegeu em 2004, imaginava-se que, sendo candidato à reeleição em 2008, sua vida seria menos fácil. Afinal, o PMDB - e mais especificamente, Iris – sempre simbolizou o que o PP (desde sempre) e o PSDB (desde sua criação, em 1988) sempre rejeitaram.
Marconi Perillo (PSDB) só uniu os partidos de oposição em 1998 porque Iris era 'o' adversário a ser batido. Se o candidato do PMDB a governador há dez anos fosse outro, a união entre PSDB, PP, PTB e PFL (hoje, DEM) certamente não teria sido tão fácil.
Depois de 1998, o PMDB continuou sendo o contraponto de todos esses partidos. Nas duas eleições para governador seguintes, só o PMDB teve chances de derrotar os aliados. Nas cidades do interior, quase sempre o PMDB é também o adversário – para não dizer 'inimigo'. É então surpreendente que, agora em 2008, Iris tenha vida facilitada por quem sempre o combateu.
Se a oposição é, no mínimo, omissa, é preciso dizer que Iris é candidato favorito à reeleição também por méritos próprios.
Faz um governo populista no melhor e no pior sentido da palavra. Ataca carências antigas (asfalto) e agrada a classe média (colocando os carros como prioridade no trânsito – e não os pedestres, como faz o resto do mundo).
Não cria conflitos com ninguém e é centralizador como sempre, o oposto de Pedro Wilson (PT), o antecessor que o povo rejeitou nas urnas.
Mas a oposição ao PMDB tem grande parcela de responsabilidade. Imaginar que Iris tentaria fazer tudo isso não era tarefa das mais difíceis.
Depois das duas derrotas (1998 e 2002), era mais do que esperado ver Iris tentando recuperar a popularidade. Sem oposição na Câmera de Vereadores, sua vida se tornou mais fácil. Com Marconi (na primeira metade do mandato) e Alcides (na segunda metade) não criando dificuldades no Palácio das Esmeraldas, o caminho ficou mais livre.
Politicamente, tudo passou a conspirar a seu favor. A começar pelo PT que, inesperadamente, topou não lançar candidato próprio (como sempre fez) em troca de indicar seu vice. Além de um adversário a menos, Iris ganhou parte da militância petista em sua campanha e um generoso tempo extra no programa eleitoral gratuito do rádio e da televisão.
Ainda no campo político, as picuinhas trocadas pelos grupos políticos de Alcides Rodrigues e Marconi Perillo ajudaram a fortalecer o projeto irista. Como PP e PSDB estiveram mais preocupados em puxar o tapete um do outro, o PMDB se preservou – estrategicamente, sempre defendendo o PP de Alcides.
Ademais, todos os partidos da base aliada (PP, PSDB, PR, PTB e DEM) iniciaram o mês de junho (faltando quatro meses para a eleição) sem nenhuma idéia sobre qual candidato lançar à prefeitura. Mais do que isso: sem idéia nem mesmo se seriam lançados um, dois, três ou até quatro candidatos distintos.
Só há poucos dias houve uma definição pela candidatura de Sandes Júnior (PP) e, até o fechamento desta coluna, ninguém sabia se outros candidatos também seriam lançados.
Mais do que disputa interna, faltou planejamento aos aliados. Nem Alcides, nem Marconi – em tese, os líderes desse grupo de partidos – planejaram-se minimamente para a campanha.
Não houve estratégia prévia, não houve montagem de calendário, não há plano de governo, não há um rumo, não houve nada que fizesse o favoritismo de Iris ser, pelo menos, atenuado. Nem mesmo factóides foram lançados – especialidade de muitos dos integrantes desse arco de partidos.
Portanto, Iris chega ao início da campanha eleitoral com tudo conspirando a seu favor. Sendo confirmada sua reeleição em outubro, ele já estará com outro projeto bem adiantado – o de 2010.
Enquanto seus adversários começam a se preocupar com 2008, o peemedebista já se organiza para a eleição seguinte.
Postado por Eduardo Horácio em 28/06/08 às 06:50.
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27/06/08 - Sexta-feira
Política
Quem é que obriga?
O prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), disse hoje em entrevista à Rádio 730 que é centralizador por "obrigação".
Veja a frase inteira: "A vida inteira no Executivo eu - fui governador duas vezes e agora prefeito - recebo a pecha de centralizador. Eu sou, mas não gosto de receber esse rótulo. Sou, mas sou por obrigação."
Quem o obriga? O cargo?
Será que Iris já ouviu falar em democracia?
Ouça toda a entrevista de Iris clicando aqui.
Postado por Eduardo Horácio em 27/06/08 às 00:06.
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24/06/08 - Terça-feira
Política
Legendas disputam ''passe'' de Meirelles
Presidente do BC é considerado forte candidato em Goiás
Chapa de 2010, com Meirelles tentando ser governador, teria Iris Araújo e Lúcia Vânia candidatas ao Senado
Vice de Meirelles seria Rubens Otoni, do PT
Fernando Nakagawa No Estadão de hoje
Embalada pelos últimos acertos para a eleição municipal, teve início também a corrida para tentar atrair aquele que desponta como um dos mais fortes candidatos ao governo goiano nas eleições de 2010: Henrique Meirelles. Entre os partidos, o PP é o que mantém contatos mais freqüentes com o atual presidente do Banco Central (BC). Já há até um esboço para uma eventual chapa: Meirelles (pelo PP) como candidato e um petista como vice, provavelmente o deputado Rubens Otoni.
Alheias à subida da inflação - que tira o sono de Meirelles -, as principais lideranças goianas começaram a se movimentar de olho na popularidade do presidente do BC em Goiás e no investimento que o ex-presidente mundial do BankBoston estaria disposto a fazer na campanha para o Palácio das Esmeraldas. O PP, aliado do governo federal e partido do atual governador, Alcides Rodrigues, foi o que mais se aproximou dele, tendo até promovido encontros em Goiânia.
Essa aproximação é observada pelo PT e PMDB, que se uniram em coligação inédita para a reeleição de Iris Rezende à Prefeitura de Goiânia. A avaliação dos três partidos é que Meirelles se filie ao PP até 2009.
Da eventual chapa de 2010 também participariam a deputada federal e mulher do prefeito de Goiânia, Íris Araújo, e a senadora Lúcia Vânia, que seriam candidatas ao Senado. Íris é do PMDB e Lúcia, hoje do PSDB, está disposta a migrar para o PP.
Nas palavras de um deputado que colabora nas articulações, seria uma chapa "imbatível". Isso foi reforçado no início do mês, quando pesquisa do Instituto GPP mostrou que Meirelles tem imagem positiva para 53,9% dos goianos.
O apoio do PT a ele era completamente impensável há alguns anos, quando o BC sofria ataques freqüentes da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas o quadro mudou nos últimos meses. O ápice da boa relação aconteceu no fim de maio, quando Meirelles recebeu a bancada petista no Congresso pela primeira vez em mais de cinco anos.
Apesar do estágio das conversas com o PP, outros aliados de Lula não jogaram a toalha. Entre os que querem ser uma opção estão PR, PRB e PTB. Além de almejarem o apoio do candidato do presidente, consideram que Meirelles é um dos maiores puxadores de votos de Goiás.
Nessa corrida, aliados e oposicionistas concordam que o azarão é o PSDB. Pouquíssimos apostam no retorno do presidente do BC ao partido escolhido por ele em 2002 para obter uma vaga na Câmara dos Deputados.
Leia a matéria clicando aqui.
Postado por Eduardo Horácio em 24/06/08 às 21:40.
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24/06/08 - Terça-feira
Opinião
Política Goiana
Desde a eleição de Marconi Perillo para o governo de Goiás, a política de Goiás está andando em círculos, como um animal ferido de morte à procura de alívio para seu inevitável fim
O PMDB é o sonho possível da sobrevivência do PT, que assiste a uma decadência gritante no cenário político regional
O caso de Goiás é ilustrativo: enquanto os partidos se engalfinham para garantir seus espaços, a sociedade dá mostras de cansaço
Por Joãomar Carvalho de Brito Neto Hoje no DM
Desde a eleição de Marconi Perillo para o governo de Goiás, a política de Goiás está andando em círculos, como um animal ferido de morte à procura de alívio para seu inevitável fim. Claro, a política não morre, mas muda a forma de representar a sociedade. Em Goiás, não parece evidente movimento algum no sentido de fazer esta representação mais legítima, na forma de contemplar alguns sinais de organização de vários setores sociais do Estado.
Se olharmos o quadro das negociações com vistas às alianças para as próximas eleições, vamos constatar dois mundos, cada vez mais distantes um do outro, o da sociedade que realimenta sua dinâmica com maiores índices de organização de base, e o da política, que insiste em revitalizar sua velha e carcomida dinâmica de representar-se a si mesmo. Antes das experiências administrativas de partidos como PT, PSB, PDT, PSDB etc., imaginava-se que nada avançava por conta da natureza conservadora dos outros partidos. Não era verdade: uma vez no poder, as lideranças destes partidos foram buscar nos setores conversadores a base para sua sustentação. A sociedade ficou órfã e seus cidadãos perderam a utopia.
A eleição de Marconi Perillo se deu à frente de uma aliança que tinha tudo, menos coerência política. De fato, era difícil imaginar uma boa convivência política com partidos tão díspares, quando o PSDB, o PFL (DEM), o PC do B, o PP, o PTB etc., para citar apenas algumas siglas. Depois de dois mandatos, esta coligação, já sem muito gás, elege o grande nome do PP, o então vice-governador Alcides Rodrigues. Como a gestão anterior ficou com a cara de Marconi Perillo, o retrato do PSDB de Goiás, a nova gestão tem naturalmente a cara do PP de Alcides Rodrigues.
A base de apoio do presidente Lula, à exceção do DEM (ex-PFL), é constituída pelos mesmos partidos que sustentaram a administração FHC, tendo o PMDB como ideal parceiro. Na realidade, ele só cuidou de sua sobrevivência, por conta de uma extraordinária base em todo o País. Este quadro torna-se refém toda administração em crise, como a de Goiás, por exemplo. O governador dá sinais a cada dia que não sai mais do raio de influência de Brasília. Mais do que isto: deseja esta dependência.
Quem perde com isto? Claro, o grande aliado de ontem, o PSDB. Melhor dizendo, o senador Marconi Perillo. Para este, não sobra nem o consolo de manter aliança com parte do DEM, de Ronaldo Caiado e Demóstenes Torres. A parte favorável a esta aliança, encarnada por Vilmar Rocha, não tem mais representação em Brasília e pouca influência tem no partido em Goiás.
O que vemos então pelas páginas dos jornais? O governador Alcides Rodrigues construindo uma “nova” base de sustentação com partidos que são, quase sem exceção, filhotes da velha Arena, partido que sustentou a ditadura militar, ou partidos que se aliaram à ditadura, como o PTB. É neste conjunto desencontrado de partidos que se situa a oposição ao prefeito Iris Rezende, do PMDB, que já conseguiu fazer do PT, o partido do presidente da República, um fiel escudeiro de sua sonhada reeleição. E vai juntando algumas peças a mais no tabuleiro partidário de Goiás, para construir uma grande aliança que não conseguiu quando de sua eleição. O PMDB é o sonho possível da sobrevivência do PT, que assiste uma decadência gritante no cenário político regional.
O filhote do PMDB grande e descaracterizado é o PSDB. Foi por esta razão que os fundadores do partido fundaram a nova legenda para, supostamente, recuperar algumas bandeiras do velho MDB e ajustar-se às novas realidades políticas do mundo, pensando principalmente na experiência dos partidos socialistas ou social-democratas da Europa. Em Goiás, no entanto, o partido apenas abrigou quem estava descontente com as administrações do PMDB. Embora, em algum momento, se pensasse que seus quadros pudessem dar continuidade aos debates e aos encaminhamentos sugeridos pela Fundação Pedroso Horta, o PSDB no poder nem mesmo conseguiu repetir a trajetória que se viu, por exemplo, durante a administração Henrique Santillo.
Por isso, enquanto esteve no poder, repetiu a trajetória dos demais partidos, seja a Arena, o PFL e mesmo o PMDB: cresceu, ganhou adeptos de última hora, tornou-se referência. Na oposição, esfacelou-se, perdeu espaços e viu seus quadros migrarem para pequenos partidos de ocasião, que se aliam com quem quer que esteja no poder. Uma velha estratégia de sobrevivência. Um modelo que não foi quebrado.
O PSDB, como os demais partidos, vive uma crise: não criou quadros, esnobou possibilidades e apostou apenas na figura do seu governador, agora no Senado. Hoje, fora do poder e vendo seus espaços diminuírem a cada reforma da atual administração, só tem seu ex-governador como referência, num quadro de dificuldades crescentes, em que a outra senadora do partido, Lúcia Vânia, não vê a hora de sair do partido, embora prestigiada pela direção nacional do partido. Se o partido não se refundar, ele se tornará o DEM de hoje, com uma única liderança, buscando sobrevivência com alianças pontuais.
Estamos assistindo a uma cena reveladora: para enfrentar o prefeito Iris Rezende, que conseguiu ficar praticamente sem oposição até o momento, o governador Alcides Rodrigues está bancando um candidato que, pelo histórico recente, não tem a menor possibilidade de sucesso por duas razões, pelo menos. A primeira, ele não consegue unir a chamada base que elegeu o governador: o DEM não se sente contemplado no governo, e ao PSDB só interessa perder de menos. Sinal deste quadro é a revolta dos vereadores de Goiânia, que vêem seu sonho de reeleição comprometido pela forma como a direção regional do partido conduz as negociações. A segunda é que o próprio governador não teria muito interesse numa confrontação com o prefeito Iris Rezende, grande aliado em Goiás do presidente Lula.
Esta conformação da política de Goiás revela, a nosso ver, uma grave crise relativa à questão da representação da sociedade pelo aparato partidário. Há uma verdadeira crise e, não sem razão, se fala muito da necessidade de uma reforma política, que nunca sai do papel. O caso de Goiás é ilustrativo desta assertiva: enquanto os partidos se engalfinham para garantir seus espaços, a sociedade dá mostras de cansaço, enquanto vive uma saudável experiência de organização de seus vários segmentos.
Nascem deste quadro, demandas na área da saúde que não consegue melhorar seu desempenho, do transporte público que continua longe de atender ao cidadão da segurança que continua fazendo vítimas, inclusive do aparelho estatal e da educação, que continua patinando na incompetência da gestão pública etc. O aparato partidário parece não entender esta nova/velha realidade. Por isso, tem dificuldade de propor alternativas à sociedade.
Há uma dicotomia entre o que a sociedade quer e o que os partidos dizem representar. Está faltando sociedade na dinâmica dos partidos. Há uma crise de representação. Seria bom que os partidos pensassem a respeito. A sociedade mudou. Quer mais. Quer participar verdadeiramente das instâncias dos partidos. Hoje, a diferença é que os cidadãos estão cobrando mais e de maneira organizada. Os partidos não podem continuar marchando para o nada.
Joãomar Carvalho de Brito Neto é jornalista e professor doutor da UFG
Leia o texto também clicando aqui.
Postado por Eduardo Horácio em 24/06/08 às 16:22.
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23/06/08 - Segunda-feira
Jornalismo
A memória da TV Globo é seletiva
Leia nos três posts abaixo: - Globo tenta reescrever seu passado - Globo resume 1989 à edição do debate - Globo reconhece apoio a militares
Postado por Eduardo Horácio em 23/06/08 às 22:21.
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