Friboi: “Tenho 70% dos votos do PMDB. Ganho de 70% a 30%”

O polêmico empresário duvida que seja expulso do PMDB, elogia bastante a reforma administrativa promovida agora por Marconi Perillo e confessa que almeja "controlar" o PMDB em Goiás



Friboi em entrevista a Mirelle Irene e Altair Tavares na 730: "Apoiei e apoio a reforma administrativa de Marconi"

O empresário Júnior Friboi (PMDB) quer, de novo, mudar seu nome na política. Em 2012, optou por ser chamado de "José Batista Júnior". Em 2013 e 2014, resolveu adotar o nome que o consagrou, Júnior Friboi (e ainda brigava se alguém não o chamasse assim). Agora, quer ser chamado de "Júnior Batista". Se vai pegar ou não, só o tempo dirá. Essa foi uma das revelações de Júnior em entrevista concedida hoje de manhã na Rádio 730, no estúdio da emissora, no programa Cidade Urgente, aos jornalistas Altair Tavares e Mirelle Irene. Na entrevista, que durou uma hora, negou que algum dia tenha feito críticas pessoais ao governador Marconi Perillo (PSDB), revelou bastidores das conversas que teve com Iris Rezende (PMDB) em 2014 e garantiu ter maioria no PMDB, partido que almeja "controlar". Friboi também nega que tenha cometido infidelidade partidária nas eleições para governador em 2014, mesmo declarando apoio a Marconi Perillo no segundo turno. Confira, abaixo, a entrevista na íntegra concedida nesta sexta-feira, 13 de fevereiro.

Altair Tavares: O Cidade Urgente destaca uma agenda diferenciada. O nosso convidado hoje é o empresário José Batista Júnior ou Júnior do Friboi. Aliás, qual dos dois? Até isso vamos enfatizar daqui a pouco. Este personagem esteve no centro das últimas articulações políticas, esteve na condição pré-candidato a governador e será entrevistado por mim e por Mirelle Irene, repórter da Rádio 730. Bom dia!
Júnior Friboi: Bom dia Altair, Mirelle, bom dia ouvintes da 730 para um bate-papo bastante informal. Vamos falar de tudo, um pouco.

Altair Tavares: É José Batista Júnior ou Júnior Friboi? Aí ficou a dúvida se o sr. ainda integra o grupo Friboi...
Júnior Friboi: Não, eu já tinha dito várias vezes, fiz um acerto com meus irmãos e estou hoje com a JBJ, que é a sigla do meu nome. O Friboi eu ajudei a fundar, criamos a marca há mais de 30 anos, e aí as pessoas, por costume, sempre me chamam de Júnior Friboi. Meu nome é José Batista Júnior e daqui pra frente meu nome político será "Júnior Batista". É um hábito de me chamar de Friboi. Eu sempre atendo, né?

Altair Tavares: O sr. não nega a raiz. Mas não é desconfortável?
Júnior Friboi: Não, Altair, não é não. Mas com o tempo as pessoas vão se acostumando, né? Eu não sou do Friboi. Ajudei a fundar, mas não quero associar a marca da empresa com a gente. Isso demora um tempo. Não é do dia pra noite que as pessoas vão deixar de falar Júnior Friboi. As pessoas vão acabar acostumando com meu nome. A JBS está aí com uma campanha nacional, tem feito aí uma mídia, a marca do produto...

Mirelle Irene: Mas a marca da carne ajuda na política, né? Um nome tão conhecido...
Júnior Friboi: Igual o Sandro Mabel, né? Ele construiu uma marca. E continua chamando Sandro Mabel. Isso aí demora um tempo pras pessoas conhecerem a gente por outro nome. Isso é o de menos. Não importa.

Altair Tavares: Então vamos de "Júnior Batista"... Vírgula, Júnior Friboi.
Júnior Friboi: Isso

Altair Tavares: Júnior, nós vamos abordar aqui aspectos da personalidade política e empresarial de Júnior Friboi. Cinco anos atrás, Júnior era visto como um empresário, hoje é visto como um político. Ser personagem político significa o quê?
Júnior Friboi: Eu me mantenho, eu continuo no PMDB. Eu fui muito criticado pelas legendas que passei. Comecei no PSDB, depois fui lá pro Jovair, o... (pausa)

Mirelle Irene: O PTB...
Júnior Friboi: O PTB, depois eu saí do PTB e vim para o PSB, na época o Eduardo Campos ainda governador do Pernambuco me convida, depois me convidaram para vir para o PMDB. Eu fui muito criticado porque passei por muitos partidos, mas eu considero que uma filiação partidária é um "credenciamento", né, eu estou me "credenciando" para um pleito, para deputado federal, estadual, governador, presidente, enfim, então eu vim para o PMDB porque entendi que o PMDB de Goiás tem uma capilaridade grande, é um partido histórico e política a gente "se ganha" com capilaridade, juntando forças, que formam ideias, projetos, que te apoiam naquilo que você está propondo. O PMDB tem uma capilaridade bastante grande. As terceiras vias nunca tiveram sucesso. Sempre ficou polarizado entre PSDB e PMDB. Estou tranquilo, estou bem no PMDB.

Mirelle Irene: Está confortável no PMDB?
Júnior Friboi: Estou "confortadíssimo" no PMDB. Eu fiz um grande investimento no PMDB, ajudando a eleger 60 prefeitos em 2012. Depois, no PMDB, continuei dando uma grande contribuição para o partido. Na época que me chamaram para o partido, o PMDB estava precisando trazer alguém com mais credibilidade. Eu vim convidado! Ninguém entra numa festa, ninguém entra num partido se não for convidado.

Mirelle Irene: Existia uma promessa de que o sr. seria candidato a governador?
Júnior Friboi: Na verdade eu só vim porque me ofereceram um "pacote fechado". Eu consultei o Iris, o Maguito, toda a executiva do partido, os deputados estaduais, federais, a vice-presidência da República, a direção nacional, eu falei com todos. E o entendimento no PMDB era de reforçar o partido, de dar uma roupagem nova, um fato novo, de estrutura e assim eu aceitei. As pessoas precisam acreditar em alguém. Mas eu fui surpreendido pela minoria.

Altair Tavares: Quem é essa minoria?
Júnior Friboi: O PMDB tem dois grupos.

Altair Tavares: Tem Igrejas...
Júnior Friboi: Não, tem dois grupos.

Altair Tavares: Não... São igrejas, porque são separados.
Mirelle Irene: Chega a estar rachado?
Júnior Friboi: O PMDB tem esse problema de não ganhar as eleições porque dividiu. Se junto não é fácil, imagina separado. Então o PMDB virou uma federação. Tem o grupo do Maguito, né, e tem o grupo do Iris. E eu era um terceiro grupo. Formei um terceiro grupo.

Altair Tavares: Mas formou mesmo? Tem o grupo do Friboi?
Júnior Friboi: Formei. Tenho muitos seguidores, pessoas que confiaram em mim, no projeto. E o quê que eu fiz? Como formei um grupo de seguidores e simpatizantes, eu comecei a unir os grupos que estavam separados. Então eu fui buscar o grupo do Maguito, o Leandro ainda era deputado federal, o Maguito com um mandato de prefeito também nos apoiou naquele momento, nós nos juntamos. Então, ainda se organizando, fui buscar o apoio do grupo do Iris, do grupo dele. Mas aí o Iris saiu candidato e na medida em que ele sai candidato, quando todos esperávamos que eu e ele formássemos uma chapa para concorrer ao governo do Estado... Eu sendo o candidato a governador, o Iris senador e o PT indicando o vice-governador e que isso não aconteceu com a demora do Iris em dizer o que ele pretendia fazer, com essa demora o PT lançou o Antônio Gomide candidato a governador e na sequência o Iris lançou a sua candidatura. Quando ele lançou a candidatura, eu entendi que o projeto estava perdido, eu recuei, deixei o Iris assumir...

Altair Tavares: Vamos revelar aqui um bastidor. Houve uma última reunião entre o sr. e Iris Rezende. Por volta de 27 de junho...
Júnior Friboi: Não, foi dia 20 de maio.

Altair Tavares: Essa reunião teria acontecido na agropecuária Vera Cruz, na rua 22...
Júnior Friboi: Não, foi no escritório novo dele. Não no da empresa.

Altair Tavares: Nesta reunião, o sr. teria dito a Iris Rezende que o sr. retraiu. Que Iris não poderia deixar o partido sem candidato. Naquele momento, o sr. disse algo que levou Iris a entender que o sr. estaria desistindo da candidatura?
Júnior Friboi: Fui lá conversar com ele, ele renunciou à candidatura com uma carta inclusive desrespeitosa com o PMDB, dizendo que o partido se lançou de forma pouco republicana, dizendo, de forma alta e clara, que o partido estava se vendendo e que eu estaria comprando o partido. Enfim, ele renuncia à sua candidatura. Eu entendi então que ele tinha consertado aquela falha de ter se lançado candidato a governador, a falha do seu lançamento. Na medida em que isso aconteceu, fui ao Iris para acertar com ele a nossa chapa, para que pudéssemos formar a chapa. Que todos os outros partidos estavam me esperando para acertar esse movimento. Quando eu cheguei lá no Iris, o Iris estava montando um "Volta, Iris", ele já tinha renunciado e estava montando esse movimento. Cheguei lá e falei "Iris, já são 20 de maio, nós precisamos conversar agora e formar a chapa, então vim te convidar para ser candidato ao Senado na chapa majoritária e aí vamos escolher o partido que vai indicar o vice". Aí o Iris disse pra mim: "Eu só faço isso depois da convenção, que era dia 30 de junho". Aí eu falei: "Não dá tempo, depois da convenção não dá pra falarmos disso mais e você, Iris, não é mais candidato, então podemos nos juntar". Então o Iris me disse: "Eu tenho 55 anos de vida pública e seria muito difícil ser candidato ao Senado porque eu não posso deixar que o povo entenda que eu me vendi a você".

Altair Tavares: Iris disse isso?
Júnior Friboi: Disse.

Mirelle Irene: Essa é uma grande revelação...
Júnior Friboi: Então eu falei pro Iris: "Acabou o negócio, eu não estou comprando absolutamente nada, estou formando um projeto para ganharmos as eleições, precisa de capilaridade, precisa de voto, precisa de estrutura". A campanha é feita de marketing, de "propostas propositivas" e é isso que precisamos. Temos que ser oposição ao governo e não à pessoa. Não concordo de forma alguma, Mirelle, de atacar uma pessoa, porque isso é atacar os filhos, netos, a mãe, a esposa...

Mirelle Irene: Mas o sr. fez críticas ao governador Marconi Perillo...
Júnior Friboi: Fiz críticas ao governo dele, ao governo, só ao governo, que podemos fazer melhor. Mas sobre a pessoa dele, vocês nunca viram eu dizer uma só palavra a respeito dele.

Altair Tavares: Então Iris disse "eu não posso deixar as pessoas pensarem que eu me vendi a você, sendo candidato a senador"...
Júnior Friboi: Tanto é que ele escreveu na carta de renúncia...

Altair Tavares: O quê que o sr. entendeu com essas palavras?
Júnior Friboi: Eu entendi que ele era candidato ao governador do Estado e eu naquele momento, se eu fosse para uma convenção, eu tinha certeza que venceria a convenção

Altair Tavares: Por que o sr. não foi pra convenção?
Júnior Friboi: Eu não fui porque estava dividido o partido, o fogo amigo é que derruba, não é o amigo, é o fogo amigo...

Mirelle Irene: Mas tinha gente suficiente do lado do Iris que iria criar esse problema para o sr.? Eu lembro, Altair e ouvintes, de um evento na pré-campanha do sr. e teve muita gente. Teve deputado, prefeito, naquele momento o sr. demonstrou que tinha força dentro do partido, tanto que o Iris depois fez um evento, ele tinha seus apoiadores, mas não com o porte que o sr. conseguiu fazer.
Altair Tavares: Com a capilaridade...
Mirelle Irene: Com a capilaridade... Surpreendeu muito quando o sr. recua, se o sr. fosse pra convenção talvez nesse momento o sr. não desunisse e sim unisse o partido...
Júnior Friboi: Na verdade, naquele momento eu e o Iris já estávamos "se desgastando", ele queria dizer que só aceitaria ser o candidato a senador depois da convenção e a convenção era dia 30 de junho, os partidos não esperavam, nós tínhamos 12 legendas para nos apoiar, e aquele imbróglio que não saía, o movimento "Volta, Iris", e o Iris, então, eu achei muito errado, ele ser senador na chapa já não ficaria bom mais, então eu preferi então...

Altair Tavares: Ele seria eleito...
Júnior Friboi: Não, ele seria aclamado...

Altair Tavares: Caiado não teria coragem nunca de enfrentá-lo, eu tenho certeza...
Júnior Friboi: Não, de forma alguma, o Iris iria ter uma votação muito grande, ele seria aclamado ao Senado, se o PT indicasse um vice nós estaríamos todos juntos, faria sentido porque estamos juntos também no governo federal, mas na medida em que o Iris lança sua candidatura, o PT lança candidato, o Vanderlan também sai candidato, a oposição se esfacelou toda...

Altair Tavares: Depois dessa revelação importante dos bastidores, que deve repercutir, vamos a perguntas dos ouvintes. Estamos entrevistando Júnior Batista, o "Júnior do Friboi", entre aspas. Fez uma revelação inédita, que deve repercutir. Um ouvinte quer saber qual sua participação hoje nas empresas Friboi, o sr. já respondeu, mas talvez ele não tenha ouvido, o sr. não participa mais do grupo JBS...
Júnior Friboi: Ok, correto, está confirmado.

Altair Tavares: O sr. agora é um empreendedor sozinho, um empreendedor isolado.
Júnior Friboi: Isso.

Altair Tavares: O ouvinte pergunta: "O sr. tem intenção de ser candidato a prefeito de Goiânia?"
Júnior Friboi: Não, candidato a prefeito, não. Eu tenho a intenção de contribuir para que a gente possa eleger o próximo prefeito de Goiânia.

Altair Tavares: O sr. disse que, se Vanderlan fosse candidato, o sr. o apoiaria? Isso é uma situação fechada?
Júnior Friboi: Não, estou dizendo que, caso eu venha a assumir o controle, a ter o controle do partido no Estado...

Altair Tavares: Aliás, me permita uma intervenção... O sr. diz umas palavras que os políticos não gostam. A palavra "controle", eles não gostam da palavra "controle". O sr. precisa aprender o vocabulário. É "direção" que fala.
Júnior Friboi: Administração, direção, o que seja, mas no fundo é o controle.

Altair Tavares: Mas quando o sr. fala "controle" fica muito explícito.
Júnior Friboi: Não, não é nada, não é explícito não, rapaz, tem nada disso não. Eu não tô falando pros políticos, eu tô falando pro povo.

Altair Tavares: Ah, então tá certo.
Júnior Friboi: Eu não estou conversando aqui com político.

Altair Tavares: Mas político também ouve.
Júnior Friboi: Não, eu não estou falando com político. Eu estou falando aqui na 730 com a população.

Altair Tavares: Mas retomando a pergunta, o sr. dizia que se tiver a direção do partido...
Júnior Friboi: Na eleição do diretório, eu estou colocando aqui o meu nome, para formar um grupo, para concorrer à eleição da direção estadual do PMDB. Isso se eu não for expulso...

Mirelle Irene: Pois é, isso que eu ia perguntar...
Júnior Friboi: Se eu não for expulso, eu tenho direito de defesa, eles estão montando um processo...

Mirelle Irene: Um processo que pode durar quatro meses de sangria pública...
Júnior Friboi: Vamos ver o desenrolar disso. Eu não acredito que eles vão conseguir me expulsar. Não tem provas de absolutamente nada. E não tem lógica, não tem sentido, precisa ser "refederado"...

Mirelle Irene: Referendado...
Júnior Friboi: Referendado pelo PMDB nacional, enfim, o PMDB tem aí que respeitar, sobretudo, os diretórios, a sua militância...

Altair Tavares: Mas certamente a declaração em que o sr. questiona a candidatura de Iris a governador, dizendo que Iris iria perder mesmo, que a eleição de Marconi Perillo era a melhor opção para Goiás, isso não é uma prova (de infidelidade)?
Mirelle Irene: O sr. vai ser acusado de infidelidade partidária...
Júnior Friboi: Não, eu não fiz infidelidade partidária. Inclusive, na carta, eu escrevi uma carta ao PMDB. Não foi uma carta ao Marconi. Foi ao PMDB. Dizendo que naquele momento nós iríamos perder a eleição novamente. Mas eu queria dizer, sobre o Vanderlan, que caso eu venha a pegar a direção do partido, eu teria condição de convidar o Vanderlan para que viesse se filiar novamente ao PMDB para que ele possa ser o nome do PMDB para concorrer na convenção, porque o PMDB pode ter outros candidatos. E o Vanderlan é um grande nome.

Altair Tavares: Um ouvinte de Aparecida pergunta: "O sr. já tem uma marca. Por que o desgaste da política?"
Júnior Friboi: Não, não tem desgaste nenhum. Quero deixar muito claro aqui que quero ajudar o Estado, dar uma contribuição, melhorar a qualidade de vida das pessoas, gosto da gestão, gosto de administrar, hoje sou empresário e qualquer um pode ajudar o Estado. Eu entendo da área de desenvolvimento econômico. A minha vida toda, o que fiz foi administrar, foi gestão. Quem se credenciar a uma legenda e que seja honesto, pode pleitear um cargo público. A minha intenção é essa. Estou vindo de fora pra dentro. Não estou aqui para "se servir" do Estado, eu vim aqui para contribuir...

Altair Tavares: O ouvinte fala aqui de uma má cultura, de gente que entra na política para crescer financeiramente. Ele diz que o sr. não precisa disso...
Júnior Friboi: Deixa eu te falar, isso é verdade. Eu construí minha vida trabalhando, tomando risco, quebrando barreiras, padradigmas para o Brasil, eu não estou entrando na política para fazer a vida. Coloquei o meu nome porque sou goiano, nasci aqui, foi aqui que começamos a vida...

Altair Tavares: Apesar de ser bem branco e ter cara de sulista...
Júnior Friboi: Não, mas eu sou goiano. A minha genética vem de italiano e português. Do jeito que estou vendo as coisas acontecerem, coloquei meu nome à disposição. E já me sinto com dever cumprido!

Mirelle Irene: Já? E a candidatura a governador em 2018?
Júnior Friboi: Não, isso está tão longe que não é o momento de falarmos sobre isso. O momento é de um bate-papo, de esclarecimentos, eu não falei disso na imprensa e a 730 tem um alcance fantástico.

Mirelle Irene: O sr. mantém esse sonho de ser governador?
Júnior Friboi: Eu nunca disse na vida, empresarial ou política, que eu não faço. Nunca falei isso. Isso é oportunidade, é uma formação de um projeto. Querer não é poder. Se houver, lá no momento, um projeto que una grupos e for favorável, eu coloco meu nome à disposição.

Altair Tavares: Vamos aqui a uma questão delicada, empresário. Delicada. Um ouvinte pergunta se essas movimentações do sr. seriam uma forma de atuar a mando de Marconi Perillo?
Júnior Friboi: Não, isso não é verdade, eu queria dizer para todos os ouvintes que desde 2011 eu não encontro o Marconi, nunca conversei com ele sobre política...

Mirelle Irene: Nem por telefone?
Júnior Friboi: Por telefone, quando ele foi eleito. Eu liguei para cumprimentá-lo. Eu não tenho projeto em função do PSDB, eu não faço isso, jamais eu faria isso. Se eu quiser me aproximar do governador, eu tenho que me desfiliar do PMDB para fazer isso. Mas ele é governador do Estado e eu sou empresário. Nós temos no Estado os investimentos, muitas pessoas trabalhando, gerando emprego. Do ponto de vista do empresário, a eleição acabou. Nós temos agora que ajudar a desenvolver o Estado. E quem é o gestor do Estado é o governador. E sempre que for preciso falar com ele, governador, para falar de negócios, do desenvolvimento do Estado, eu vou falar. Não tenho dúvidas disso, do ponto de vista empresarial. Não procede o que estão dizendo aí nas redes sociais.

Altair Tavares: Outro ouvinte pergunta... "O sr. dizia que o Estado estava quebrado durante o período eleitoral. Depois, terminada a eleição, o governador fez uma reforma administrativa para economizar R$ 2 bilhões. Então, o sr. estava certo?"
Júnior Friboi: Estava certo e continuo certo. O governador, se não faz o que ele fez, com muita coragem e austeridade, foi uma demonstração de gestor. Eu parabenizo ele do ponto de vista da gestão, é assim mesmo que se faz, o orçamento do Estado é do povo, o Estado precisa ser bem gerido e fazer intervenções para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Então, precisa economizar, não se pode tocar um Estado da forma como a base política quer, tem que ser responsável.

Altair Tavares: O sr. apoiou, então, a reforma administrativa?
Júnior Friboi: Apoiei e apoio. Apoiei e apoio. Cada ato que o governador faz de economia, ele reverte isso em benefício da população.

Altair Tavares: Vamos falar de carne.
Júnior Friboi: Vamos.

Altair Tavares: A carne está muito cara, Júnior Friboi. Como abaixar o preço da carne?
Júnior Friboi: Nós temos aí um problema sério. A falta de chuva. O rebanho brasileiro tem diminuído. Os criadores de fêmea, a retenção de matriz, eles têm desovado muita matriz em função da falta de chuva no pasto e também pelo aperto financeiro. O custo Brasil está muito alto, os juros estão muito altos e tem a lei de oferta e procura. Aqui no Brasil a arroba está em 135 reais, nos Estados Unidos, Austrália e Canadá, a arroba está em 200 reais. Na medida em que o dólar sobe, desvaloriza o real e tira o poder de compra do brasileiro. As pessoas começam a sentir o preço alto em função da desvalorização do real. Do ponto de vista de preço mundial, nós estamos muito abaixo ainda.

Altair Tavares: Então vai continuar do jeito que está e a tendência é crescer...
Júnior Friboi: Exatamente.

Mirelle Irene: Eu queria saber qual apoio o sr. tem agora no PMDB em duas situações. Primeiro, o apoio que o sr. tem nessa questão do conselho de ética e depois, lá no final do ano, a disputa pelo comando do PMDB. Se o sr. puder quantificar em porcentagem...
Júnior Friboi: Assim, eu vou falar bem aproximado, bem coerente, eu diria pra você que é 70% a 30%. O presidente nacional do PMDB, o Temer, não vai prorrogar mais os mandatos, já prorrogou no ano passado. Hoje, no momento em que eu colocar meu nome encabeçando a chapa para concorrer à direção do PMDB, até outubro, eu tenho 70% dos votos. É a 70% a 30%.

Mirelle Irene: Ou seja, o sr. tem maioria no partido hoje...
Júnior Friboi: Acredito que sim. Então, de forma que o PMDB está ansioso, o interior, a militância, todos querem que o PMDB tenha uma renovação, um alternância, precisa reoxigenar, precisa alternar, precisa dar uma oportunidade para as pessoas, que não aguenta mais. Se o PMDB perder a eleição em Goiânia e perder mais uma vez para governador, acaba o partido. Ninguém aguenta mais ficar 24 anos na derrota.

Altair Tavares: Nas vitórias de Marconi Perillo, foi por que Marconi foi mais competente ou por que o PMDB foi incompetente?
Júnior Friboi: Eu sempre tenho dito, com todo respeito, o Marconi está governador por quatro mandatos em função do erro do PMDB de lançar sempre o Iris. Se o PMDB tivesse lançado, lá atrás, algum nome novo, 2010 por exemplo, o Marconi não teria ganhado a eleição. As pessoas querem uma renovação, querem a nova política, eu quero, você quer, o povo de Goiás deu a ele lá atrás oito anos de mandato e foi legítimo, tinha muita vontade de trabalhar, assumiu o Estado com 35 anos de idade, eu inclusive apoiei ele, Altair, eu entendo e gosto muito da alternância. Eu faço alternância na empresa. A empresa chegou onde chegou porque sempre demos alternância, renovamos, demos oportunidade, a política de Goiás, o Estado de Goiás não é diferente, o Marconi está certo, ele ganhou a eleição em função da fraqueza do PMDB.

Altair Tavares: Obrigado pela entrevista, muitas pessoas no começo falaram do seu jeitinho de falar, mas é uma identidade. Não tem muito que mudar não. Vou mostrar agora um negócio para o sr. e vamos ver como o sr. reage, de supetão

(No estúdio, neste momento, é executada a canção "Gordinho Gostoso", da Banda Luxúria, cujo refrão é: 'Sou um gordinho gostoso, gordinho gostoso / Sou um gordinho gostoso / Eu não sou friboi, mas tô na moda / A mulherada gosta, a mulherada gosta do papai')

Altair Tavares: E aí?
Júnior Friboi: Olha, você vê que Friboi virou símbolo de qualidade e confiança.

Altair Tavares: Até de música assim...
Júnior Friboi: Pra você ver, então estamos no caminho certo.

Altair Tavares: O sr. já ouviu essa música, toca ela lá em casa?
Júnior Friboi: Já ouvi, já ouvi. Cantam pra mim. Me enche de orgulho. O trabalho que a gente fez deu certo. Quando as pessoas gostam, pegam, viram um hit dentro da sociedade, a Argentina sempre teve uma marca de carne, o Brasil não tinha, nós fomos os primeiros a lançar uma marca de carne bovina no Brasil. Virou sinônimo de confiança e qualidade. E escolhemos a pesssoa certa para fazer isso que foi o Tony Ramos, uma pessoa extremamente profissional, de credibilidade da mídia nacional.

Altair Tavares: Se falar que o sr. é gordinho gostoso, o sr. não vai gostar, né?
Júnior Friboi: Olha, eu estava gordinho também. Perdi agora 15 quilos.

Altair Tavares: Era um gordinho...
Júnior Friboi: Mesmo magro, eu continuo gostoso. Minha esposa está nos ouvindo, eu queria mandar aqui um carinhoso abraço, pelo carinho que sempre teve comigo e meu menininho também está escutando, o Neto, ele chama José Batista Neto, um beijo carinhoso para vocês da minha família.

Altair Tavares: No dia da filiação ele estava lá...
Júnior Friboi: Só pra terminar, a base de todo sucesso nosso é a nossa família. Eu sou uma pessoa que trabalha em nome da família. A família é a base principal para estruturar uma pessoa a ter sucesso. Eu quero aqui cumprimentar todas as famílias goianas.

Altair Tavares: Um abraço!
Júnior Friboi: Um abraço e até a próxima.


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