‘Outsider’, Friboi age como o falso ‘bonzinho’

Nos últimos cinco anos, Friboi passou por quatro partidos sem nunca ter sido candidato a nada: PSDB, PTB, PSB e agora PMDB. Friboi também foi secretário de Marconi Perillo há pouco tempo. Nada disso incomoda o PMDB?

Foto: Divulgação

Homenagem a Iris, em dezembro, marcou a última vez em que Iris e Friboi foram vistos juntos em evento público

Nas entrevistas, ainda que de forma atrapalhada, o pré-candidato do PMDB a governador, Júnior Friboi, tenta passar a imagem de “bonzinho”. Aqui não se analisa se ele é ou não é “bonzinho”. A questão é sua imagem pública. E Friboi tenta vender essa imagem de “ingênuo”. Como bem pontuou seu marqueteiro, Duda Mendonça, Friboi quer ser visto como o cantor Leonardo. “Bonachão, adora Goiás, simpático, simples”, descreveu Duda.

Nos bastidores, no entanto, a imagem que se forma é outra. A imagem que prevalece hoje em alguns setores é que Friboi age como um trator. É “bonzinho” no discurso, até se faz de vítima. Chega a dizer que sem o apoio de Iris Rezende (PMDB), ele desiste de ser candidato. Friboi afirma que deve muito a ele, Iris. Nos bastidores e na prática, no entanto, a postura é outra. Friboi já tentou, um a um, cooptar todas as pessoas mais próximas a Iris. Conseguiu alguns. A estratégia, hoje bem clara, é desidratar Iris Rezende. Se no discurso, Friboi implora por uma aliança pública com Iris, na prática ele tenta afastar Iris do palco.

Vamos ao mais recente caso: o ex-senador Mauro Miranda. O que fez Friboi? Anunciou cooptação de Mauro Miranda. Em silêncio, sem nem conversar antes com Iris e sem uma declaração pública de Mauro Miranda. Qual o motivo disso? Por que anunciar que Mauro está com ele? Foi atrás de Mauro Miranda para dar um golpe simbólico em Iris. Para derrotar os iristas, para ver se consegue forçar Iris a "jogar a toalha", a dizer que está fora da disputa ao Palácio das Esmeraldas.

Friboi adota a prática de desunir, em vez de agregar. Quando fala do DEM, rasga mil elogios a Ronaldo Caiado e ao seu partido. Quando fala do PT, desdenha. Diz que não tem "opinião formada" se apoiará a reeleição de Dilma Rousseff (PT) e diz que o PT pode acabar vindo na "marra", via direção nacional do partido. Tenta usar o DEM para ver se força o PT a apoiá-lo? Não se sabe. Na prática, o resultado tem sido outro: se tem algo que o PT hoje não quer, esse ‘algo’ hoje é Friboi.

Há um componente no mínimo curioso. Como pode o PMDB estar com Friboi, um "outsider" na política? Nos últimos cinco anos, Friboi passou por quatro partidos sem nunca ter sido candidato a nada: PSDB, PTB, PSB e agora PMDB. Friboi foi secretário do governador Marconi Perillo (PSDB) há pouco tempo. Nada disso incomoda o PMDB? Em vez de se incomodar com a pré-candidatura de Antonio Gomide (PT), não seria melhor o PMDB fazer uma reflexão e olhar para dentro? Não é estranho que o peemedebista hoje prefira uma aliança com o DEM a uma parceria com o PT?

O fato é que o PMDB vai perceber que a imagem de "bonzinho" de Friboi não cola mais. Pode ser que perceba tarde. Pode ser até que Friboi vire mesmo governador e no dia seguinte mude de partido. Pode ser que Friboi chame Marconi Perillo para ajudá-lo a governar. Afinal, por que Friboi ainda não fez nenhuma crítica a Marconi? Com Friboi, tudo é possível, tudo é um risco. A questão é saber até que ponto o PMDB está disposto a bancar esse risco.


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