02/03/09 - Segunda-feira
Futebol
Vale a pena sediar uma Copa do Mundo?
Ouço a pergunta com alguma frequência em jornais e rádios locais: vale a pena Goiânia ser uma das 12 sedes da Copa do Mundo de 2014? A escolha das sedes ocorrerá em menos de três semanas.
A pergunta, para mim, é outra: vale a pena o Brasil ser sede de uma Copa do Mundo? A resposta: não, não vale. Copa não deveria ser meta de país sub-desenvolvido. A corrupção está entranhada no mundo do esporte. As CPIs já comprovaram as nebulosidades da CBF e a organização megalomaníaca do Pan-2007.
Com tantas prioridades num país com dívida social tão grande, chega a ser surreal pensarmos em Copa do Mundo por aqui. Dizer que a Copa trará benefícios sociais (melhorias nos transportes, na saúde, na infra-estrutura) é cinismo e auto-atestado de incompetência. Afinal, para melhorarmos nossas cidades, precisamos de uma Copa? Sem Copa, não podemos investir transporte, saúde e infra-estrutura?
O pior de tudo é que, no Brasil, a pergunta cretina que encerra o parágrafo anterior faz sentido. Daí que não acho que o Brasil deva sediar uma Copa do Mundo. Mas, já que vai sediar, torço para que Goiânia seja uma das 12 escolhidas.
O Governo Federal já deu claros sinais que investirá bastante nas cidades que forem escolhidas para sediar a Copa. Apesar de ser uma regra torta e absurda para escolher onde investir, se essa regra existe, que Goiânia tente ser uma das escolhidas. Autoridades daqui que negligenciarem isso estarão boicotando a cidade onde moram e trabalham.
É claro que há boas chances de muito desse dinheiro ficar no meio do caminho. Para o Pan-2007, prometeu-se que o Rio de Janeiro teria diversas melhorias em infra-estrutura. Não houve uma sequer. O dinheiro foi todo enterrado no estádio do Engenhão e em praças olímpicas hoje abandonadas. Os espaços que restaram não são aproveitados nem por escolas de educação física. Não é impossível imaginar que o mesmo aconteça com o dinheiro público destinado a obras da Copa de 2014.
Mas, ainda assim, melhor investir em cidades que têm presença forte do futebol do que em outras cidades que não tem representantes nem na Série A nem na Série B do Campeonato Brasileiro. Se é absurdo Goiânia sediar uma Copa do Mundo (sim, há quem diga isso), mais absurdo são cidades como Cuiabá, Brasília, Campo Grande ou Natal constarem da lista das prováveis 12 escolhidas. Uma coisa absurda é investir dinheiro a fundo perdido em um estádio como o Serra Dourada, mas mais absurdo ainda é construir estádios onde nem há futebol regular, nem presença de público.
Outra pergunta recorrente: de que adianta sediar apenas três jogos? É pouco, mas não é tão pouco assim. A Fifa prevê que cada estádio escolhido sediará, no mínimo, cinco jogos da Copa do Mundo de 2014. A média, no entanto, deverá ser de oito jogos para cada estádio, ficando os menores com cinco ou seis jogos.
Benefícios haverá para quem for sede da Copa. Daqui até 2014, o turismo tenderá a crescer e a cidade passará a se mobilizar em torno do evento. Cidades-vizinhas no interior também deverão sair ganhando.
Mas, com Goiânia dentro ou fora, o ideal mesmo é que fizéssemos uma Copa do Mundo modesta, já que é para ser feita. Não dá pra competir com o que foi feito na Alemanha em 2006. Somos um país cheio de problemas, com carências mais urgentes, e nos próximos anos a crise econômica tende a ficar pior. Que o dinheiro público, portanto, fique longe de estádios e obras sem retorno para a população no pós-Copa.
Postado por Eduardo Horácio em02/03/09 às 19:15.
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