A pré-candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, admitiu ontem que não descarta a possibilidade de subir em dois palanques nas eleições ao governo de Goiás. Tanto Iris Rezende (PMDB) quanto Vanderlan Cardoso (PR) - este último apoiado por Alcides Rodrigues (PP) - esperam ter o apoio da petista nas eleições. Em entrevista ontem à Rádio 730, ela lembrou que as alianças do PT com os Estados ainda não estão definidas e que é preciso entrar em acordo sobre a questão.
"Cada situação regional vai ser diferenciada. Não é possível ter uma regra geral no Brasil. As coisas têm de caminhar mais para a gente ver como vão ficar os acordos. Porque para subir em dois palanques vai ter de ter um acordo de procedimentos”, explicou Dilma.
Segundo a petista, o governo federal tem uma afinidade com o governador e isso deve ser levado em consideração no momento de definir os palanques. Mesmo assim, a pré-candidata deixou claro que a prioridade nos Estados é formar uma coalizão com o PMDB, que deve ter o presidente da Câmara dos Deputados Michel Temer como vice na chapa nacional. "Temos esse projeto de construir a mesma coalizão que sustentou o governo. Dentro desse projeto o PMDB se destaca. Tanto assim que a gente considera importante que o candidato a vice saia do PMDB”, declarou.
Para Dilma, a melhor perspectiva de palanque em Goiás é ao lado de Iris. “Aí em Goiás a gente vê como excelente perspectiva e muito bons olhos a candidatura de Iris Rezende. Agora, esse processo ainda está em andamento. Como vai ficar direitinho não está claro, mas os dados apontam nessa direção”, disse. “Em muitos Estados pode ser que haja dois palanques. Mas na maioria acho que vai haver uma tendência a unificar.”
PSDB
Na entrevista, Dilma voltou a criticar o PSDB afirmando que o partido “já defendeu o fim do Bolsa Família e acha que o programa é contraditório com a geração de empregos”. A petista disse ainda que antes do governo Lula “só se prendia pobres e pessoas de menos recursos”.
Questionada sobre sua relação com o senador Marconi Perillo (PSDB), candidato ao governo do Estado, Dilma aproveitou para atacar o PSDB.
“Tenho uma relação republicana com o senador, não tenho nenhuma restrição pessoal ao senador, agora tenho um projeto distinto ao dele. No meu projeto, acho que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é fundamental, nós estamos fazendo obras importantíssimas. Eu acredito que a posição do senador é de um partido que já defendeu o fim do Bolsa Família, que acha que é contraditório com a geração de emprego e nós não achamos. As pessoas têm direito ao Bolsa Família, não é que o governo quer dar”, disse.
A pré-candidata do PT lançou mão de números para dizer que o governo Lula foi mais atuante no combate à corrupção do que o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo a candidata, na gestão dos tucanos, a Polícia Federal fez 29 operações especiais, enquanto no governo do PT foram mais de mil.
“Acho que ficou visível que nunca antes na história desse País houve caso de prisão de governador, prefeito, deputado, empresário e banqueiro. Não que os políticos ou empresários sejam as pessoas que comentem mais malfeitos. No Brasil, antes só se prendia os pobres, as pessoas de menos recursos e menos poder. Hoje não, o governo mostrou que ninguém está acima da lei”, disse.
Dilma afirmou que vai respeitar a indicação de vice do PMDB para sua chapa. “Acho que essa questão de vice é delicada, mas o partido é quem tem de indicar o nome ou os nomes. Eu não posso dar palpite. As coisas estão fluindo mais para o presidente da Câmara (Michel Temer) e é uma questão que precisa ser tratada com respeito porque é uma decisão do partido”, afirmou.
PMDB
Dilma fez questão de defender o PMDB das críticas do ex-ministro Ciro Gomes (PSB) durante a entrevista. Ela disse que a corrupção pode acontecer “em todos os lugares” e deu uma estocada no colega, ao dizer que ninguém deve ter a “soberba” de associá-la a um determinado partido.
“A questão da corrupção não pode ser confundida com um partido ou uma sigla”, disse. “Os seres humanos são diferentes, a corrupção é uma questão de desvio de conduta e isso pode acontecer em todos os lugares. A gente não pode ter essa soberba ao analisar os outros.”
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