24/05/08 - Sábado
Eleições 2008
Se lançar Sandes, Alcides ajuda Iris
Uma certeza povoa a cabeça de alguns palacianos. A tese é polêmica, mas faz sentido. É assim: se o Palácio das Esmeraldas resolver apoiar a candidatura de Sandes Júnior (PP) à prefeitura de Goiânia, é porque o governador Alcides Rodrigues (PP) já fechou apoio branco a Iris Rezende (PMDB).
Afinal, Sandes é um dos poucos candidatos que, pode-se dizer, tem chances quase iguais a zero na eleição de Goiânia.
Em 2004, quando Iris era menos forte e o PT tinha candidato (Pedro Wilson), Sandes não passou de um terceiro lugar, só perdendo votos ao longo da campanha. E pior: ainda virou objeto de chacota.
Terminada a campanha, a única certeza para 2008 é que Sandes não conseguiria ser candidato outra vez.
É lógico que um fato novo - a favor de Sandes, claro - poderia mudar o cenário.
No entanto, nenhum fato - muito menos novo - ocorreu.
Se a pré-campanha de 2004 sempre colocou Sandes no páreo como um dos favoritos, a pré-campanha de agora simplesmente o ignora.
A candidatura dele, se confirmada, será apenas uma resposta protocolar do PP e do Palácio das Esmeraldas ao eleitorado e aos aliados.
Para quem considera um apoio indireto de Alcides a Iris uma obra de ficção, basta analisar as outras alternativas para o lançamento de uma candidatura deste tipo.
Vamos a elas:
1) Alcides lançaria Sandes porque é ingênuo e acredita piamente na vitória dele;
2) Alcides não está nem um pouco interessado na sucessão de Goiânia.
Apostar na ingenuidade de Alcides é, isso sim, uma ingenuidade. Ninguém vence uma eleição para governador sem um pouco de malícia. Então, hipótese descartada.
Já a idéia dele não estar interessado na eleição de Goiânia também não combina com o perfil de um político. Qual governador não gostaria de por um aliado na prefeitura de sua capital? Todos, provavelmente.
Daí que, se Alcides não se importa com a reeleição de Iris, é porque considera o peemedebista, no mínimo, um quase-aliado.
E por que não apoiar logo Iris? Lançando Sandes, Alcides fica bem com o PP, com seus aliados e sua base eleitoral. Afinal, um apoio direto a Iris seria polêmico e racharia os partidos aliados.
E mais: se apóia Iris declaradamente, Alcides estará dando corda para Marconi Perillo incendiar a base contra a aliança PP-PMDB.
Lançando um candidato - mesmo que seja para perder -, acaba por dar uma satisfação ao seu partido e aos aliados.
Se Alcides quisesse mesmo derrotar Iris Rezende, ele teria assumido as rédeas da coordenação da campanha ainda em 2007. Teria reunido os pré-candidatos no Palácio das Esmeraldas várias vezes e, no fim, encaminharia um consenso em torno de um nome.
Com o candidato indefinido até agora (faltando menos de dois meses para o início da campanha), qualquer nome escolhido terá chances menores do que se fosse escolhido ano passado.
Iris, o suposto adversário, não é qualquer um. Está com a maior popularidade de um prefeito em Goiânia desde a redemocratização. Não é, portanto, Sandes Júnior (que seria escolhido a poucos dias do início da campanha) que provocaria uma reviravolta no cenário.
Por fim, uma triste constatação. O fato de Alcides não ter encaminhado o processo eleitoral de Goiânia mostra o quão frágil é o jeito de se fazer política no Estado.
Afinal, mesmo sem Alcides, a base (ou o que sobrou dela) poderia ter se reunido e tocado o processo. Nada disso aconteceu.
A política goiana é recheada de gente acostumada a receber tudo de cima pra baixo, a seguir ordens, a falar amém para o governador.
Historicamente, em Goiás, o governador sempre dita o ritmo e rumo do processo eleitoral. Como não houve (e não há) ordens superiores, o processo eleitoral só existe, por ora, no PMDB. Para o resto, não há nem idéia de quando vai começar.
Postado por Eduardo Horácio em24/05/08 às 19:01.
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