03/11/07 - Sábado
Análise
A força eleitoral da Copa-2014
Não é só no plano nacional que a Copa do Mundo tem tudo para, nos próximos anos, ser um importante cabo eleitoral. No fim de 2008, serão definidas as 12 cidades-sede do mundial de futebol que será realizado em 2014. Goiânia, provavelmente, estará entre as 12.
O senador Marconi Perillo (PSDB) está adiantado, em relação a seus adversários, na articulação para capitalizar para si mesmo uma possível Copa em Goiânia.
Sua assessoria já trabalha nisso.
Além de batalhar para que Goiânia seja sede, sonha que um dos jogos do Brasil na primeira fase seja no estádio Serra Dourada. Missão difícil. Os favoritos são o Morumbi (São Paulo), o Maracanã (Rio de Janeiro) e o Mineirão (Belo Horizonte). Mas o senador vai tentar.
Embora despercebido por muitos, Marconi é hoje o "líder" da Bancada da Bola no Congresso Nacional. Ele foi a Zurique, na cerimônia que confirmou o Brasil como sede, como representante número 1 do Congresso, a convite da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Sua ligação com Ricardo Teixeira, presidente da CBF, não é repentina: ele foi o terceiro político brasileiro que mais recebeu doações da entidade na campanha eleitoral de 2006, que o elegeu para o Senado. Ao todo, foram doados R$ 50 mil.
O líder desta mesma Bancada da Bola já foi Maguito Vilela (PMDB).
O peemedebista chegou a ser um dos vice-presidentes de Ricardo Teixeira na CBF, nos anos 90. No cargo de senador, foi protagonista da mutilação do texto original da Lei Pelé, com o aval da CBF, em 1999.
A Bancada da Bola, de Maguito e Marconi, também atrapalhou as duas CPIs que investigaram o futebol brasileiro no Congresso Nacional, em 2000.
Mas será que o futebol ainda influencia a política?
Em 1970, a ditadura militar soube capitalizar bem o clima "pra frente Brasil" da seleção tricampeã no México.
Mas em 2002, o pentacampeonato na Ásia não ajudou em nada a melhorar a popularidade do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Nem alavancou a candidatura de seu aliado para a sucessão, José Serra.
Mas todas essas Copas foram realizadas longe do Brasil.
Uma Copa do Mundo realizada em solo brasileiro faz toda a diferença.
Jacques Chirac, presidente da França em 1998 (quando a Copa foi realizada em seu país), teve a popularidade elevada na época do mundial, sem contar o prestígio conquistado por ministros e aliados.
Não foi gratuita, portanto, a ida de 12 governadores a Zurique, nem mesmo a da ministra Marta Suplicy.
Os 12 governadores têm pretensões nas próximas duas eleições. Muitos serão candidatos à reeleição em 2010 ou pretendem voltar ao governo em 2014.
Alguns miram uma candidatura presidencial: é o caso dos tucanos José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais) e do petista Jacques Wagner (Bahia).
Também não foi gratuito o comparecimento de várias agências de publicidade, todas com experiência em eleições, para Zurique. Elas filmaram governadores, ministros e presidente da República na cerimônia que confirmou a escolha do Brasil.
Em Goiás, na próxima eleição estadual, Marconi deve usar a Copa do Mundo para turbinar sua candidatura a governador.
Quem se eleger em 2010 será o governador do Estado em junho de 2014, mês em que a Copa será disputada. Se eleito em 2010, Marconi poderá também usar a mesma Copa para promover sua reeleição em 2014.
Faltando sete anos para o evento, parece delírio imaginar tal cenário. Mas não é.
Delírio, apenas aparentemente, é o fato do prefeito de Itumbiara, José Gomes da Rocha, estar trabalhando para que a cidade que administra seja hóspede de pelo menos uma seleção durante a Copa no Brasil.
Delírio? Só para quem não conhece "Zé Gomes".
José Gomes também já pertenceu ao primeiro time da Bancada da Bola, quando foi deputado federal. Foi um dos primeiros políticos brasileiros a receber doações eleitorais da CBF, ainda no início dos anos 90. Sempre foi fiel a Ricardo Teixeira, inclusive nos momentos de crise.
O papel do governador Alcides Rodrigues (PP) - que também esteve em Zurique - em uma possível Copa do Mundo é que segue como incógnita.
Alcides escolherá algum nome para exercer a função de "embaixador" de Goiás na luta para que a capital do Estado seja sede? Ou assumirá ele mesmo a função? Ou deixará tudo nas mãos de Marconi Perillo, como sempre?
De qualquer forma, um perdedor já conhecemos: o futebol. Aliás, quando a política fala mais alto no esporte, quem perde não são os políticos.
Postado por Eduardo Horácio em03/11/07 às 18:14.
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