28/01/07 - Domingo
Política
Entrevista com Roberto Romano
Foto: Arquivo do Ministério Público Democrático de SP |
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| Romano: 'Brasil é terra do governismo incondicional' |
Entrevistei, na sexta-feira última (dia 26), o professor de filosofia da Unicamp, Roberto Romano. É uma das mentes mais lúcidas do pensamento político nacional. A entrevista está publicada na edição desta semana da Tribuna do Planalto (que começou a circular nas bancas ontem, sábado).
Coincidentemente, também outro veículo decidiu entrevistá-lo esta semana: a revista Época (edição 454, a que tem uma pilha de moedas na capa). Uma belíssima entrevista, por sinal.
A entrevista de Roberto Romano à Tribuna, feita por este blogueiro, está disponível no site do jornal, além da edição impressa. Quem quiser lê-la na íntegra, pode clicar aqui.
Alguns destaques da entrevista de Roberto Romano:
"Há uma concórdia de base entre PT (pelo menos a sua direção) e o PSDB, no plano da política econômica. Aliás, este foi um dos fatores da derrota dos tucanos nas últimas eleições. Eles nada tinham a opor, de fato, ao governo."
"Há um dito de Elias Canetti, autor do clássico livro Massa e Poder que fornece uma pista para entender os discursos e as práticas dos 'radicais' e 'puros' em política: 'Nunca vi um homem deblaterando contra o poder, sem o desejo secreto de possuí-lo'. Por volta dos anos 80, o desejo do poder estava no plano do 'desejo secreto'. Agora ele se tornou público e transparente."
"Há mais de 20 anos advirto, como professor de ética, que o desgaste da palavra 'ética' traz conseqüências tremendas para a sociedade e para o Estado brasileiros. O PT era o partido que usava a ética como "palavra embreagem" (ver explicação do termo na primeira resposta da entrevista) para qualquer coisa, sobretudo para atacar seus concorrentes."
"Quanto ao PFL, é preciso ver o que ele fará, de fato, para unir as suas hostes, determinar uma estratégia de longo prazo, atenuar o tom moralista herdado da UDN e passar a uma atuação uniforme no país inteiro. Por enquanto, como o PMDB, o PFL é uma federação de oligarquias, cada qual com alvos e táticas próprias."
"O presidente (Lula) é o maior propagandista de si mesmo que seu partido conhece. Ele sabe perfeitamente dirigir figuras de linguagem e metáforas contra seus adversários, banalizando coisas difíceis e complexas. A divisão esquerda/direita é complexa. Ele a simplifica em proveito próprio."
"Se não for possível vislumbrar o crescimento da oposição (qualquer oposição), pode-se dizer que não há futuro democrático para o Brasil. Aliás, nosso país tem sido a terra do governismo incondicional."
Postado por Eduardo Horácio em28/01/07 às 04:04.
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