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17/06/10 - Quinta-feira

Eleições 2010
Os 60,1% que preocupam Iris e Marconi

Arte: Jornal Opção

O que preocupa os adversários do candidato do PR não são seus 7,1% na pesquisa Grupom e, sim, o fato de 60,1% não saberem quem é Vanderlan

O crescimento da candidatura de Vanderlan Cardoso (PR) na sucessão em Goiás era uma questão de tempo. Isso todos sabiam, inclusive os adversários. Afinal, o candidato do PR é pouco rejeitado, tem uma boa administração para mostrar e é apoiado por um governador que, se não tem as porcentagens estratosféricas que Lula tem, já alcança índices semelhantes ao de Marconi Perillo (PSDB) em 2002, ano em que foi reeleito governador.

A primeira questão, para os adversários do candidato do PR, não era saber se ele iria crescer e, sim, tentar adiar ao máximo esse crescimento. Daí que Marconi sempre dizia que seu único adversário era Iris Rezende (PMDB) e vice-versa.

Iris insistiu até quando pôde numa hipotética união entre PMDB, PP e PR já no primeiro turno, algo que ele - esperto como é - sabe que nunca foi cogitado seriamente.

Marconi e Iris preferem se enfrentar. Um já conhece bem o outro e os dois imaginam que sabem como ganhar se a bipolarização entre eles fosse mantida até o fim.

O primeiro objetivo - impedir o crescimento de Vanderlan - até que foi alcançado com algum sucesso. Criaram - e ainda criam - atritos dentro da base de Vanderlan e assim devem se comportar até onde der. Estão errados? Não, faz parte do jogo político.

Marconi sabia que Vanderlan cresceria, como aponta a pesquisa Grupom divulgada no último domingo pelo Jornal Opção e pela Rádio 730. Não foi por acaso que o lançamento da candidatura de Marconi Perillo (PSDB), por exemplo, enfatizou o "municipalismo", bandeira que Vanderlan defende há tempos e introduziu no debate eleitoral deste ano.

Iris sabe que Vanderlan está crescendo, o que explica o assédio mais forte em cima de PSB e PDT, dois partidos que caminhavam para compor a aliança do candidato do PR.

Isso explica também o peemedebista ter começado a bater pesadamente no governo Alcides Rodrigues (PP) nos últimos quinze dias, postura antes descartada.

A estratégia, no entanto, tende a ser alterada, já que pesquisas qualitativas não aprovam os ataques ao governador. Foi por isso que Marconi, por exemplo, cessou a artilharia contra Alcides um mês atrás, depois de criticar fortemente o atual governador. Nas últimas três semanas, o tucano seguiu batendo em Alcides, mas de forma menos intensa e mais sutil.

O que preocupa Marconi e Iris não são os 7,1% que Vanderlan têm na pesquisa estimulada.

O que preocupa ambos é o fato de Vanderlan ainda ser desconhecido de 60% do eleitorado e já alcançar índices expressivos em vários nichos do eleitorado. Só 4,2% dizem conhecer bem o candidato Vanderlan. Iris e Marconi são conhecidos de todos os eleitores e, por isso, é razoável supor que não vão crescer com facilidade.

Marconi, aliás, deve saber que chegou ao teto no primeiro turno e sonha em manter os 45,1% que têm hoje, porcentual que o garantiria no segundo turno. Se cair alguns pontos porcentuais, teme perder apoios políticos que o acompanham exclusivamente pela perspectiva de poder que tem. Não são poucos.

A segunda questão, para os adversários de Vanderlan, era saber de quem o candidato do PR mais tiraria votos. A resposta começa a aparecer.

Iris perde mais
Hoje, Vanderlan tira mais votos de Iris do que de Marconi. É o cenário do momento, o que justifica a reação agressiva de Iris ao atual governo.

Iris, que já foi governador duas vezes e prefeito da capital por dois mandatos e meio, sabe que não se pode desprezar um candidato apoiado pela situação. Ele próprio elegeu Maguito Vilela (PMDB) governador numa eleição que foi polarizada por três candidatos do início ao fim do primeiro turno. Foi em 1994 e os dois outros protagonistas eram Lúcia Vânia e Ronaldo Caiado, com a primeira indo para o segundo turno contra o candidato de Iris.

Marconi, no entanto, sabe que esses cenários mudam. Vanderlan pode tirar votos apenas de Iris neste momento mas, no acirramento da campanha eleitoral, é possível que arranque pontos percentuais também do tucano. A polarização com o primeiro colocado é inevitável. Em termos ideológicos, aliás, qualquer um dos três principais candidatos a governador pode tirar votos do outro, já que os três nomes são candidatos de centro-direita, assim como ocorreu em 1994. Isso só aumenta o caráter imprevisível da eleição.

Marconi, claro, sabe disso. O cenário ideal para o tucano é um segundo turno contra Iris, adversário que ele imagina saber como derrotar. Um segundo turno contra Vanderlan seria imprevisível. Afinal, o "novo" não seria mais Marconi, mesmo que ele insistisse em discutir Twitter ou prometer trazer uma fábrica da Apple para Goiás. Se fizer um segundo turno contra Iris, a tese do "novo", ainda que desgastada, até que teria alguma chance de colar.

Vanderlan já cresceu, está crescendo e é natural que cresça ainda mais. Afinal, é a única novidade desta eleição e carrega o apoio de um governador com popularidade em ascenção.

Vanderlan vai ser eleito? Estará no segundo turno? Difícil dizer. O eleitor goiano é um dos mais imprevisíveis do país. Várias eleições em Goiás só foram decididas na última semana do primeiro turno, o que mostra o grau de instabilidade da eleição.

O que se sabe é que, com o decorrer natural da campanha, Vanderlan deve crescer e disputar votos com os adversários.

Um ponto a favor ele tem, ao menos nos próximos meses. O nome do PR é hoje aquele que tem mais chances de crescer na campanha eleitoral, enquanto Iris e Marconi têm mais chances de perder votos, até pelos altos índices que possuem.

Enquanto a campanha de Vanderlan seguirá o planejamento natural (já que estará em crescimento, provavelmente), Iris e Marconi terão de segurar o ímpeto de mudar o planejamento a todo instante quando começarem a perder votos.

Afinal, pior do que estar em queda nas pesquisas é passar a imagem de que está desesperado.

Mas como manter um planejamento se a campanha vai mal? Está aí um desafio - dos grandes - para Iris hoje e, talvez, para Marconi amanhã.

Postado por Eduardo Horacio em17/06/10 às 18:59.
Post com 3 comentários
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O que Marconi quis dizer com a frase "Eu esperei esse debate como o vigia espera o alvorecer" dita depois do debate da OJC de 31 de agosto?
Que, assim como um vigia, queria ir embora logo do debate;
Que ele está vigiando os adversários até de madrugada;
Que ele não estava nem aí para o debate (ou o alvorecer)
Que depois de Lua Nova e Eclipse ele mal pode esperar pelo Alvorecer
 
 
 
 
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