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Vanderlan é o menos rejeitado
Senado: Demóstenes e Renner crescem
Dilma dispara: vantagem de 24,2 pontos
Debate mostra fragilidades de Marconi
Veja: houve "armação" contra Marconi
Conheça o histórico de Marconi nos debates
TRE divulga o que leitor do blog já sabia
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Serpes nas entrelinhas: nada definido
Senadores põem na campanha assessores pagos pela Casa
Marconi volta a ter mais tempo de TV
Perillo se contradiz ao explicar documentos e diz que denúncia é "café requentado"
Tucano diz que denúncias são eleitoreiras
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02/09/07 - Domingo
Análise Política
Jorcelino Braga prefere estilo Dilma Roussef ou José Dirceu?

A resposta já vem na primeira frase: Jorcelino Braga, secretário da Fazenda e todo-poderoso do governo Alcides Rodrigues (PP), está mais para Dilma Roussef.

Os petistas Dilma (hoje) e José Dirceu (no passado) foram chefes da Casa Civil do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Ambos com muitos poder.

A diferença é que Dilma aparenta ter menos força do que tem, enquanto Dirceu agia na direção contrária.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) já defendeu duas vezes, em entrevistas a veículos diferentes, que um governante até pode ter um superauxiliar. A única ressalva é que o designado não se ludibrie com o poder.

E nem que queira aparecer mais do que seu chefe.

Em alguns momentos, um auxiliar de FHC contrariou essa regra: Sérgio Motta. Depois de sua morte, quem cumpriu esse papel muitas vezes foi Clóvis Carvalho. Outras vezes, José Serra. O primeiro nunca teve pretensões eleitorais. O segundo, sim. Mas nenhum deles perdeu a noção dos limites.

Já o presidente Lula relutou em seguir essa fórmula.

No início de seu governo, estimulou uma disputa entre as duas estrelas de seu ministério: José Dirceu e Antônio Palocci.

O primeiro era vitaminado pela militância do PT.

O segundo, pelas palmas e assobios da grande imprensa.

Ambos perderam qualquer noção de limites. Tanto que Dirceu virou o alvo principal de Roberto Jefferson nas denúncias do mensalão e Palocci achou que não era incorreto quebrar o sigilo bancário de um caseiro.

FHC também não acabou quando perdeu Sérgio Motta.

E nem quando rompeu com ACM ou Sarney.

Quem também imaginava que, sem Dirceu e Palocci, o governo Lula afundaria, dançou. Dilma Roussef entrou e, aparecendo menos, tem até mais poder do que Dirceu.

Mesmo tendo pretensões eleitorais futuras, Dilma hoje não tem nenhum Palocci para concorrer com ela.

Jorcelino Braga, na Secretaria da Fazenda de Goiás, imita exatamente o estilo de Dilma.

É avesso a entrevistas, não faz propaganda do poder que tem e, pelo menos até agora, se parece muito também com Clóvis Carvalho: não tem pretensões eleitorais. De qualquer maneira, esta última afirmativa ainda é precipitada.

O que importa dizer é que Braga sabe que o poder, em última instância, é de Alcides.

Alcides até pode estar errado em dar tanto poder a um auxiliar apenas, mas acerta ao dar esse poder a um secretário (até onde se sabe) sem futuro político.

Se a ira de Marconi Perillo e sua turma é grande com o estado atual das coisas, ela seria muito maior se o superauxiliar fosse um político alcidista com gula eleitoral.

Outro governador que também deu superpoderes a um auxiliar do mesmo estilo foi Maguito Vilela (1995-1998). Seu "primeiro-ministro" foi Gean Carvalho, também vindo da área de comunicação (assim como Jorcelino Braga).

Gean foi o grande condutor do governo Maguito, sem nunca ter desrespeitado o poder de seu chefe.
Assim, Alcides está mais para o estilo de Maguito do que para o de Marconi Perillo. Este, durante seus quase oito anos de mandato, nunca nomeou um superauxiliar.

Nos primeiros anos, Giuseppe Vecci (secretário da Fazenda) chegou perto disso no governo Marconi, mas logo sumiu do mapa (e também do governo).

Marconi nunca suportou que um auxiliar seu tivesse mais visibilidade do que ele próprio. Está inclusive aí, possivelmente, o fato de Marconi não gostar nem um pouco do estilo superauxiliar de Jorcelino Braga.

Marconi, aliás, já disse mais de uma vez a jornalistas (quando era governador no primeiro mandato) que seu sonho era ter um Gean Carvalho.

Mas o tucano, de fato, nunca trabalhou para isso.

Todos que tentaram ocupar este posto simbólico em seu governo foram descartados.

Daí que, no segundo mandato, Marconi acabou revelando que seu sonho real era "ser" um Gean Carvalho de si mesmo, em vez de passar esse papel a algum auxiliar.

Assim também foi Iris Rezende nas duas vezes em que foi inquilino do Palácio das Esmeraldas.

Não importando a denominação (superauxiliar ou primeiro-ministro), o que vale para Jorcelino Braga agora e para outros superpoderosos no futuro é a lembrança de que o excesso de poder vem sempre do chefe (seja ele presidente, governador ou prefeito).

É algo transitório e facilmente substituível.

Quanto mais cuidado e discrição, maior durabilidade e menor chance de ser alvo preferido dos adversários.

Postado por Eduardo Horácio às 12:44 de 02/09/07.
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03/09/07 - Segunda-feira
Crise
Agora é oficial: Alcides e Marconi estão a um passo do rompimento

* Cunhado de tucano deixa governo e oficializa racha entre PP e PSDB

O cunhado do senador Marconi Perillo (PSDB), Sérgio Cardoso (também tucano), entregou hoje seu cargo em Secretaria Extraordinária que ocupava no governo de Alcides Rodrigues (PP).

Sérgio Cardoso sempre foi um "faz-tudo" de Marconi. Se Sérgio está pulando fora do barco, é porque Marconi já pulou faz tempo.

A crise entre Alcides e Marconi - antes negada oficialmente e sempre confirmada nos bastidores - agora está oficializada.

Pode ser contornada? Pode. Mas auxiliares próximos aos dois dizem que nenhum deles está com disposição para tanto. Pelo menos por agora.

Embora, por questão de sobrevivência política, seja até possível que uma reconciliação seja forjada para consumo externo.

Mas o rompimento entre ambos parece ser, cada vez mais, um caminho sem volta. Falta apenas marcar a data oficial.

E Marconi - que ninguém duvide - preparará sua volta como candidato a governador em 2010 sendo oposição a Aldices.

Imitando seu ídolo Iris Rezende que, em 1990, voltou ao cenário como candidato de oposição a Henrique Santillo, que era o governador.

Antes que se cometa uma injustiça, é bom dizer: Santillo terminou seu governo impopular, mas deixou várias obras (principalmente nas pastas da Cultura e da Saúde); Alcides ainda não governou: apenas administra mal o endividamento do Estado criado e deixado por Marconi.

Aliás, que parem por aqui as comparações entre Alcides e Santillo. Daqui em diante, qualquer comparação deve ser com Ari Valadão.

Postado por Eduardo Horácio às 18:47 de 03/09/07.
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04/09/07 - Terça-feira
Que oposição?
PMDB dorme em berço esplêndido

Alcides Rodrigues (PP) é, provavelmente, o pior governador eleito da história de Goiás. É também, desde 1982 pelo menos, o mais impopular nas pesquisas.

Está há 18 meses no cargo (desde março de 2006) e ainda não fez nada - nem mesmo escolheu seus auxiliares.

E o que faz o PMDB, principal partido de oposição? Nada. O que mostra que o partido, em termos de oposição, é tão ruim e covarde quanto o PP em termos de situação.

Cada governo tem a oposição que merece. E vice-versa.

Azar do Estado de Goiás.

Postado por Eduardo Horácio às 13:59 de 04/09/07.
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08/09/07 - Sábado
Análise Política
Governo e oposição morreram em Goiás

Em Goiás, todos brincam. E ninguém faz política, nem mesmo no sentido "arroz-e-feijão" do termo.

O governo Alcides Rodrigues (PP) não governa. A oposição (PMDB e PT) não faz oposição.

Se o governo não governa e a oposição não faz oposição, o que resta? Fofocas inócuas, fisiologismo e teatro.

O governador Alcides Rodrigues, há 18 meses no poder, ainda lida com as dificuldades de conciliar os interesses de sua ampla base aliada. Um tanto por falta de ousadia, outro tanto por falta de cooperação dos aliados, não sai do lugar.

O máximo que Alcides fez por enquanto foi dar mais poderes para um aliado de confiança (na Secretaria da Fazenda). Nada mais.

Entre cortar na própria carne (demitir excesso de comissionados) ou paralisar programas sociais, optou pela segunda alternativa. Ficou mal com o eleitor. O que não significa que sua base política o apóie. Ao contrário. O que não falta é aliado falando mal do governo.

A oposição, PMDB à frente, só finge.

É oposição teatral, como bem constatou a edição 1081 da Tribuna do Planalto. Apresenta denúncias, mas não batalha para que elas virem fato político.

Faz discursos agressivos, mas, nos bastidores, se acotovela para garantir nacos de poder no governo. Por vezes, a oposição nem teatral é. Chega a ser confessadamente situacionista, fazendo elogios e mais elogios a um governo que tem vários pecados para serem apontados.

Não há inocentes no PMDB. Basta lembrar que essa oposição-de-mentirinha tem o aval do prefeito Iris Rezende e do ex-senador Maguito Vilela, as duas grandes lideranças do partido.

Se Iris não incomoda Alcides, o governador também não incomoda o prefeito na Câmara de Vereadores onde, até pouco tempo, Iris não tinha maioria.

E uma mão lava a outra: se na Assembléia Alcides não tem oposição, na Câmara Iris também não tem obstáculos. O conchavo é bom para os dois de imediato, ruim a longo prazo e péssimo para o eleitor.

Maguito Vilela segue a cartilha de Iris. Atira apenas no senador Marconi Perillo (PMDB) e poupa (para não usar outra palavra) o governador Alcides Rodrigues.

A política goiana é uma abstração: o governo não se preocupa em começar a governar e a oposição não se preocupa em ser oposição, preferindo atacar o governo passado, algo que faria Kafka morrer de inveja.

A diferença, neste caso, poderia ser o PT. Em outras épocas, até seria.

Mas atualmente o PT não está nem aí. Um de seus deputados estaduais, Humberto Aidar - pré-candidato à prefeitura da capital -, é o mais tucano dos petistas. Defende, sem pudor, o ex-governador Marconi Perillo.

Outros petistas oscilam: ora defendem o PMDB, ora só falam de política nacional. Nada pior para um partido que tenta há anos se colocar como terceira força no Estado.

No atual cenário, quem mais perde é a política. E quando a política perde, um sinal vermelho aparece.

Pobre democracia, pobre política.

Sem governo e sem oposição, o eleitor tende a se cansar de "tudo que está aí", até mesmo de nomes teoricamente enraizados no imaginário eleitoral, como Iris Rezende e Marconi Perillo.

Foi assim no Brasil em 1989, quando o voto de protesto foi depositado em Fernando Collor. Assim também foi em Anápolis, em 2000, quando o eleito foi Ernani de Paula.

Se um nome novo, que apresente uma roupagem "contra tudo que está aí", surgir em 2008 ou 2010 e conquistar o coração do eleitor goiano, os responsáveis diretos por esse fato terão sido governo e oposição. Não exatamente nesta ordem.

Postado por Eduardo Horácio às 04:37 de 08/09/07.
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09/09/07 - Domingo
Análise Política
O lado blasé e autoritário de Alcides
Foto: Reprodução de TV

No cotidiano, é comum ver jornalistas reclamarem sempre que o atual governo, comandado por Alcides Rodrigues (PP), não gosta de dar entrevistas. Nem o governador, nem seus secretários.

E, quando mudam de idéia, é uma entrevista mais vaga do que a outra.

É um problema? Claro que é. Entre outras coisas, revela uma face autoritária. Do tipo "não devo satisfação a ninguém". Bem arenista.

Jorcelino Braga, o secretário-mor, adota o estilo "você sabe com quem está falando?" com todos os jornalistas.

Mas não é um problema exclusivo deste governo.

Iris Rezende, Henrique Santillo, Maguito Vilela e, principalmente, Marconi Perillo só davam entrevistas para quem falava bem deles. Pelo menos quase sempre era assim. É uma face tão autoritária quanto.

A diferença de Alcides é que ele não concede entrevista para ninguém. Nem para quem fala bem, nem para quem fala mal.

Sinceramente, não sei qual postura é pior. Qualquer uma é péssima.

E, claro, o problema de Alcides (de não dar entrevistas) parece ainda maior agora porque ele não governa.

Alcides está paralisado diante dos problemas. Tudo piora, nada melhora. E ele parece não estar nem aí. Apresenta sempre um ar blasé. Parece fazer pouco caso dos eleitores. Pode não corresponder à realidade, mas é a impressão que passa.

O atual governador não parece preocupado com o fato de deixar o Estado correr solto, como se não houvesse nenhum no comando. É um governador atropelado pelos fatos, dos menores aos maiores.

Uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas o estilo blasé de Alcides é tão grave quanto o fato de não dar entrevistas.

Em tempo: Será que Alcides não concede entrevistas porque não quer? Não seria, talvez, porque ele nem sabe responder perguntas? Quem achar esse raciocínio absurdo, favor consultar pelo menos uma meia-dúzia de entrevistas que ele concedeu durante o período eleitoral, incluindo os debates. É um desastre atrás do outro.

Postado por Eduardo Horácio às 01:06 de 09/09/07.
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10/09/07 - Segunda-feira
Política
1964 não acabou

Primeiro, o governador Alcides Rodrigues (PP) não governa. Depois, acha que não deve satisfação a ninguém. Agora, anuncia a criação de um serviço de espionagem, estilo SNI.

Não falta mais nada: a Arena (origem do PP) está de volta ao poder, com o velho conteúdo de sempre.

De fazer inveja a Paulo Maluf, Ari Valadão e Severino Cavalcante, entre outros.

Postado por Eduardo Horácio às 00:58 de 10/09/07.
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08/09/07 - Sábado
Política
O diálogo entre Marconi e Iris
Foto: Leo Iran

Do Blog de Marcus Vinícius Felipe

A pergunta foi feita à queima-roupa:
- Você é candidato a prefeito?
- O Nion queria, já falei com ele que não sou candidato. E não vou ser!

O diálogo acima foi travado entre o prefeito Iris Rezende (PMDB) e o senador Marconi Perillo (PSDB), tendo como testemunha, ao fundo, o Teatro Goiânia.

Ambos estiveram no mesmo palanque ao lado do governador Alcides Rodrigues e autoridades militares, durante o desfile cívico do 7 de Setembro na avenida Tocantins.

Iris chegou mais cedo. Conversou com populares, comeu pipocas e quando o senador chegou, juntamente com Don Washington Cruz, cumprimentou ambos, e logo em seguida, fez o questionamento.

O clique do repórter-fotográfico Leo Iran registra o momento exato e traz uma curiosidade. A letra "o" da palavra "teatro" do letreiro do Teatro Goiânia, está pendendo, como quem avisa que vai cair.

Mais uma razão para que outro prefeitável, o presidente da Agetur, Barbosa Neto (PSB), acelere o projeto de revitalização da área.

Postado por Eduardo Horácio às 00:05 de 08/09/07.
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11/09/07 - Terça-feira
Política
Alcides rompe ou fica de cócoras?

A Secretaria do Planejamento do Estado, comandada pelo marconista José Carlos Siqueira, produziu um relatório que inocenta Marconi Perillo (PSDB) da responsabilidade pela crise financeira do Estado.

O documento está detalhado na edição de hoje de O Popular (clique aqui para ler).

O ‘relatório-mandrake(qualquer análise mais séria o desconstrói) acirrou a crise entre o governador Alcides Rodrigues (PP) e Marconi Perillo.

Em poucas palavras, o relatório diz que a responsabilidade total pela crise do Estado é de Alcides. Uma tremenda saia justa.

Se Alcides fica em silêncio e não demite José Carlos Siqueira, estará dizendo que concorda com o documento. E que, portanto, assume toda a responsabilidade pela dívida do Estado.

Se Alcides abre o jogo, diz a verdade e demite José Carlos Siqueira, o circo pega fogo e o rompimento entre ele e Marconi passa a ser, além de oficial, traumático.

Alcides tem duas opções: romper ou ficar de cócoras.

Se optar pela segunda alternativa, estará desmoralizado no cargo de governador.

Se escolher a primeira alternativa, terá contra si a oposição lacerdista do senador Marconi Perillo.

A segunda alternativa parece ser a mais viável, já que é Marconi que tenta, de todas as formas, romper com Alcides.

Quem estica a corda é o tucano - cada vez mais. Se não romper hoje, vai ser daqui a pouco. É apenas questão de tempo.

Postado por Eduardo Horácio às 11:33 de 11/09/07.
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16/09/07 - Domingo
Análise Política
‘Revival’ de 2000 pode unir PP e DEM

No ano 2000, PP e PFL (que hoje se chama DEM) se uniram em Goiânia e lançaram, junto com o PTB, um candidato competitivo à Prefeitura de Goiânia: Darci Accorsi.

A costura política foi impecável. Tanto que o então governador Marconi Perillo (PSDB) tentou reverter o jogo, mas já era tarde.

Líder nas pesquisas durante quase toda a campanha, Darci acabou engolido pelos erros da coligação.

Mas aquela aliança acabou entrando para a história recente da política goiana como um projeto bem elaborado e mal executado.

A costura política do projeto é lembrada com tanta saudade por quem dela participou que há até quem já imagine repeti-la em 2008, sem obviamente os erros de execução do passado.

É esse "revival de 2000" que pode estar por trás das recentes aproximações de Roberto Balestra (PP) e Ronaldo Caiado (DEM) do Palácio das Esmeraldas.

Com o distanciamento progressivo entre o governador Alcides Rodrigues (PP) e o senador Marconi Perillo, já é mais do que realidade o que era antes uma possibilidade: os dois terem candidatos distintos a prefeito de Goiânia.

Basta lembrar que em condições bem mais desfavoráveis, algo semelhante já aconteceu. A aliança de PP-PFL-PTB de 2000 não recebeu apoio de nenhuma estrutura governamental.

Tanto é que o então governador Marconi Perillo bancou a candidatura da tucana Lúcia Vânia (que nunca decolou na campanha).

Darci terminou a eleição em segundo (foi primeiro colocado nas pesquisas até a véspera do primeiro turno), Pedro Wilson (PT) foi eleito e Lúcia Vânia terminou em terceiro.

Há também outro detalhe naquela aliança de 2000: Alcides esteve fora dela, nem mesmo a apoiou. Quem comandou as ações do PP na capital foi Roberto Balestra (PP).

Oito anos depois, com a volta do mesmo Balestra para uma importante e estratégica secretaria extraordinária no governo Alcides, não é difícil imaginar a repetição de pelo menos parte daquela aliança.

Desta vez incluindo Alcides, que agora é o comandante-mor do Estado.

Não é, portanto, coincidência o fato de Balestra assumir agora boa parte da articulação política do governo.

Assim como não é obra do acaso o DEM (que em 2000 era PFL) se aproximar de Alcides no mesmo momento que Balestra ganha força no governo.

Se em 2000, a Base Aliada se uniu contra o PSDB em Goiânia, este mesmo cenário pode se repetir no ano que vem.

Com uma importante e repetida ressalva: desta vez o comando do Estado está com o PP e não com o PSDB. O PTB, no entanto, desta vez provavelmente ficaria com Marconi, já que o comandante de agora é Jovair Arantes. Em 2000, era Pedrinho Abrão.

Balestra e Caiado, aliás, sempre sonharam com uma frente anti-PSDB que tomasse o poder no Estado, revivendo de certa forma a antiga Arena (ou UDN, para retroceder mais tempo).

Ambos também sempre reclamaram que Marconi, no poder, nunca foi de ceder espaços que os partidos aliados queriam, desrespeitando uma suposta repartição de poder compactuada na eleição de 1998, quando a coligação PSDB-PP-PFL-PTB derrotou Iris Rezende (PMDB).

A divisão na Base Aliada é sempre um risco. Pode acabar beneficiando o candidato a reeleição Iris Rezende (PMDB) ou, novamente, um candidato do PT.

Mas, em todo caso, é melhor ninguém subestimar a força desta possível aliança.

Balestra e Caiado são articuladores de primeira. Estão mais calejados. E estarão bem mais fortes se, de fato, contarem agora com o apoio e a estrutura do governo do Estado. 

Postado por Eduardo Horácio às 03:39 de 16/09/07.
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17/09/07 - Segunda-feira
Eleição entre jornalistas
Demóstenes 71 x 3 Marconi

Um embate entre os senadores Demóstenes Torres (DEM) e Marconi Perillo (PSDB) foi travado esta semana em um sítio da internet.

A disputa foi lembrada pelo colunista Filemon Pereira no jornal Tribuna do Planalto desta semana (leia aqui).

É o seguinte: o sítio Congresso em Foco, revista eletrônica influente na internet, consultou jornalistas do Brasil inteiro para apontar os melhores congressistas do ano.

Demóstenes ficou em 5º lugar no Brasil e 1º em Goiás. Recebeu, ao todo, 71 votos dos jornalistas.

Marconi Perillo teve 3 votos (31º lugar) e Lúcia Vânia (PSDB) só levou 2 (39º lugar). Os dois tucanos goianos ficaram bem próximos da lanterna e reforçaram a idéia de que são mesmo baixo-clero no Congresso.

Os dez mais do Senado, segundo jornalistas do Brasil todo são:

1) Eduardo Suplicy (PT-SP) – 97
2) Renato Casagrande (PSB-ES) – 89
3) Jefferson Péres (PDT-AM) – 86
4) Pedro Simon (PMDB-RS) – 83
5) Demóstenes Torres (DEM-GO) – 71
6) Arthur Virgílio (PSDB-AM) – 57
7) Cristovam Buarque (PDT-DF) – 51
8) José Agripino (DEM-RN) – 41
9) Aloizio Mercadante (PT-SP) – 39
10) Marisa Serrano (PSDB-MS) – 38

(...)

31) Marconi Perillo - 3
39) Lúcia Vânia -  2

Para ler a lista completa, clique aqui

Para ler a coluna de Filemon Pereira, clique aqui.

Entre os deputados, nenhum goiano recebeu destaque nacional. Estão todos no baixo-clero. Ainda assim, os que mereceram (por parte dos jornalistas) alguma lembrança foram Ronaldo Caiado (6 votos), Pedro Wilson (3 votos) e João Campos (2 votos).

Postado por Eduardo Horácio às 03:05 de 17/09/07.
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19/09/07 - Quarta-feira
Cassação de Renan
Marconi gosta de brigar até com spams. Por qual motivo? Não é estranho?

Ninguém levantou uma única suspeita.

Não saiu em lugar nenhum - nem rádio, nem TV, nem jornal, nem sítio da internet - que Marconi Perillo (PSDB) teria votado pela absolvição de Renan Calheiros (PMDB) no Senado.

Isso mesmo: essa notícia nunca existiu.

Até porque Marconi sempre disse ter votado pela cassação, apesar do voto ser secreto.

Mas, ainda assim, o próprio Marconi Perillo divulga uma nota contestando histórias que dão conta de que ele teria votado pela absolvição.

Que notícias? Onde? Quando? "Quem colocou dúvidas", como diz a nota de Marconi?

Estranha, muito estranha, a nota.

Mal comparando, é igual ver Alcides e Marconi, juntos, dizerem que estão unidos, que não vão se separar. Se estivessem tão unidos assim, seria preciso explicar "que não vão se separar" mil vezes por dia?

Outro exemplo: a diretoria do Goiás E.C. garantiu que Paulo Bonamigo estava "prestigiado" no cargo de técnico do time. Se estivesse mesmo prestigiado (foi demitido um dia depois) seria mesmo preciso falar desse prestígio em entrevista coletiva?

Voltando ao voto de Marconi, ninguém questionou nada. Ninguém levantou suspeitas.

Se qualquer pessoa for dar bola para e-mails anônimos distribuídos via spam, o mundo estaria perdido.

Mas Marconi, em nota, ataca quem diz que ele votou pela absolvição.

Quem disse isso, cara pálida? Marconi agora ataca até spams? Dialoga com textos apócrifos?

Estranha atitude, muito estranha, como pode se ver na nota abaixo, distribuída pelo e-mail boletim@marconiperillo.com.br.

SENADOR MARCONI PERILLO VOTOU PELA CASSAÇÃO

O senador Marconi Perillo sempre se pautou pela transparência e pela firmeza em suas posições. Nos seus pronunciamentos na tribuna do Senado, defendeu abertamente a renúncia ou o pedido de licença do presidente da Casa, senador Renan Calheiros. Na Comissão de Ética, o senador Marconi Perillo foi decisivo, com seu voto em separado, para que o processo não fosse arquivado sumariamente. Ele também apresentou requerimento para que o voto fosse aberto, tanto na Comissão de Ética quanto no Plenário. Em todos os levantamentos e listas de senadores que votariam pela cassação, aparece o nome do senador Marconi Perillo. O seu partido, PSDB, fechou questão pela cassação, liberando apenas um senador de Alagoas.

Portanto, qualquer ilação que coloque em dúvida seu voto durante a lamentável sessão secreta que determinou a absolvição do senador Renan, não passa de má-fé ou de interesses escusos contrariados.

O senador Marconi Perillo votou pela cassação e foi o primeiro senador a deixar o Plenário para anunciar, consternado, o resultado da votação.

Se você é pela ética e quer ajudar na construção de uma democracia sólida, ajude-nos a desmascarar os mentirosos que, aproveitando do anonimato da rede mundial de computadores, estão enviando mensagens em massa, incluindo o senador Marconi Perillo entre aqueles que foram coniventes com a falta de decoro parlamentar.

Reafirmamos: o senador Marconi Perillo, pela sua história política, pelos seus princípios de cidadão e por respeito à orientação partidária VOTOU PELA CASSAÇÃO!!!

Entre na página www.marconiperillo.com.br e conheça a trajetória política e administrativa do senador goiano. 

Errata: Alertado pela jornalista Fabiana Pulcineli, d´O Popular, corrijo-me: o jornal O Globo chegou a especular que Marconi estaria do lado de Renan. Então, ao contrário do que escrevi acima, não foram apenas spams. De qualquer maneira, é espantosa a forma como Marconi reage ao fato. E curioso o fato de ele só citar "e-mails anônimos", em vez de dar nome aos bois (no caso, o jornal O Globo).

Postado por Eduardo Horácio às 02:36 de 19/09/07.
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19/09/07 - Quarta-feira
Futebol
Goiás E.C. entra na Liga Retrô
Foto: Liga Retrô

Para os torcedores esmeraldinos, uma novidade: o Goiás E.C. é o 6º time brasileiro - e o 13º do mundo - a entrar no seleto grupo da Liga Retrô.

Este sítio é especialista em lançar camisetas antigas de clubes e seleções de todo o mundo. O site só vende produtos oficialmente licenciados.

A novidade desta semana é a réplica idêntica da camiseta do Goiás E.C. de 1966, ano em que o clube goiano conquistou seu primeiro título estadual.

O jornalista da Espn Brasil Paulo Vinícius Coelho, no próprio sítio, comenta a camiseta do Goiás daquele ano:

"A primeira camisa do Goiás, logo depois da fundação, em 1943, era verde com uma listra branca no centro do peito. Mas logo o time passou a vestir sua tradicional camisa verde. Em 1966, ano do primeiro título, a camisa possuía uma larga gola branca e o tradicional símbolo G no meio de um círculo. A camisa vestiu o time de Joel, Aleixo, Macalé, Japonês, Dias, Índio, Túlio, Eurípedes, Sinval, Afonso e Paulinho. Time que decidiu o Campeonato Goiano vencendo o Vila Nova, eterno rival, por 4 x 2, no velho estádio Olímpico Pedro Ludovico. O técnico era Paulo Lázaro e a camisa nunca mais mudou. O escudo sim. Nele, hoje em dia, aparece a inscrição com o nome completo do clube e a data de fundação."

Os demais
Dos clubes brasileiros, há ainda réplicas de camisas do América (RJ), Figueirense (SC), Palestra Itália (SP) e São Cristóvão (RJ), além de uma camiseta comemorativa do Flamengo (RJ).

Há, também, uma réplica do Corinthian (assim mesmo, sem o "s"), clube inglês que deu origem ao atual Corinthians, dono da segunda maior torcida do Brasil.

Das camisetas de seleções, há preciosidades.

Uma delas: a camiseta de Johan Cruyff da histórica seleção holandesa que encantou o mundo (mas não levou a taça) na Copa de 1974.

Camiseta laranjíssima com aquele detalhe precioso que caracterizou o estilo de Cruyff: apenas duas listras, já que ele se recusou a fazer propaganda de um símbolo comercial (no caso, a Adidas) sem nada receber.

Outra jóia: a camiseta que o goleiro Yashin usou como goleiro da então União Soviética em 1959. Serve perfeitamente como um agasalho leve e confortável.

E poucas coisas são tão bonitas quanto a diabólica camiseta que a Argentina de Maradona usou na Copa do Mundo de 1986.

A "onda retrô" já mereceu até uma matéria na revista Veja de São Paulo (clique aqui para ler).

O sítio da Liga Retrô tem um sério defeito: o alto preço dos produtos e do frete.

Como opção, há lojas similares.

O melhor deles é o Clube Retrô. Uma terceira opção (com menos modelos) é o síto Só Futebol, que igualmente só trabalha com produtos licenciados.

Postado por Eduardo Horácio às 02:42 de 19/09/07.
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19/09/07 - Quarta-feira
Política
Alcides opta por não ficar de cócoras; Braga vence duelo com marconista

Hoje o governador Alcides Rodrigues (PP) afastou sete nomes marconistas do Conselho da Saneago.

Entre eles, o de José Carlos Siqueira (que, tudo indica, deve pedir demissão da Secretaria de Planejamento).

Siqueira, principal nome de Marconi Perillo (PSDB) no governo Alcides, já provocou dois desgastes para o atual governador:
1) Arrumou briga com o secretário da Fazenda (e primeiro-ministro de Alcides) Jorcelino Braga neste mesmo conselho;
2) Produziu um relatório em nome do Estado que isentava Marconi da responsabilidade pelo alto endividamento de Goiás e jogava toda a culpa no próprio Alcides.

Além de Siqueira, também foi afastado do conselho Lúcio Fiúza Gouthier, que foi assessor particular da confiança de Marconi em seus dois mandatos de governador. O que deve acelerar, a partir de agora, o já previsto rompimento entre Alcides e Marconi.

No dia 11 de setembro, quando Siqueira divulgou o relatório pró-Marconi e anti-Alcides, este blog perguntou: Alcides vai romper ou ficar de cócoras? (leia aqui o post).

A resposta demorou a aparecer, mas começou a ser dada hoje.

Postado por Eduardo Horácio às 23:40 de 19/09/07.
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20/09/07 - Quinta-feira
Política
Meirelles muda domicílio eleitoral

Movimento alimentou especulação sobre saída do Banco Central para disputar eleição municipal em Anápolis

Chefe do BC não comenta tema, mas a amigos diz que não será candidato agora e continuará no banco nesse período de turbulência

Sheila D´Amorim
Na Folha de S.Paulo de hoje

A transferência do título de eleitor do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, da capital de Goiás, Goiânia, para Anápolis, no final de julho, alimentou as especulações sobre sua saída do comando do BC para candidatar-se à prefeitura da cidade onde nasceu.

Esses rumores ganharam ainda mais força pelo fato de Meirelles ter intensificado as articulações políticas no Estado, depois de um período de quase um ano em que evitou envolvimento direto nos acertos locais e se limitou a intervenções discretas nos bastidores.

A 11 dias da data limite para os candidatos que disputarão as eleições municipais em 2008 escolherem suas legendas, o assédio dos partidos a Meirelles aumentou.

Cogita-se sobre sua ida para o PTB, partido do ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais), ou ao PDT, presidido em Anápolis por seu primo, Haroldo Duarte.

Oficialmente, o presidente do BC não comenta o assunto, mas tem dito a amigos próximos que não será candidato, não se filiará a partido nenhum até o final deste mês e continuará no BC.
Pela legislação, só podem concorrer nas eleições candidatos que estejam filiados a partidos políticos pelo menos um ano antes do pleito.

Segundo a Folha apurou com pessoas ligadas a Meirelles que articulam sua volta à política goiana, o projeto do presidente do BC é disputar o governo estadual em 2010 e, para isso, sua permanência no BC é estratégica.

No entanto, segundo a Folha apurou, a idéia de uma candidatura à Prefeitura de Anápolis foi cogitada como um trampolim para chegar ao Palácio das Esmeraldas, sede do governo goiano. Para isso, contaria até com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Depois de fazer carreira bem-sucedida como executivo do mercado financeiro no exterior, Meirelles retornou ao Brasil com a idéia de chegar à presidência da República.

Primeiro, teve que se contentar com o espaço político oferecido pelo PSDB para disputar uma vaga de deputado federal em Goiás. Foi eleito com uma votação recorde, mas abriu mão do mandato para assumir o BC, o que ajudou a acalmar os mercados, que desabaram diante da iminente eleição de Lula.

Missão cumprida
Quase cinco anos depois, segundo admitiram à Folha amigos pessoais, Meirelles considerava que sua missão à frente do BC estava cumprida e que, se deixasse o cargo neste momento, não traria nenhum prejuízo ao governo Lula, já que a economia vivia um dos seus melhores momentos, com inflação controlada e crescimento econômico.

Enquanto a decisão não estava tomada, Meirelles, discretamente autorizou que seu nome começasse a ser discutido nas conversas sobre sucessão municipal e transferiu seu título de eleitor. Segundo registro do Tribunal Superior Eleitoral obtido pela Folha, o domicílio eleitoral, que desde 21 de setembro de 2001 era Goiânia, passou, em 30 de julho deste ano, para Anápolis.

Além disso, os articuladores da sua candidatura passaram a levantar os números sobre as finanças da prefeitura. A intenção, afirmam, era escolher um partido político até meados de setembro.
Os planos teriam sido atropelados pela crise financeira internacional. Os ventos mudaram, na avaliação de um dos articuladores da candidatura Meirelles, e a permanência dele no BC passou a ser fundamental.

Segundo esses amigos, o partido será escolhido com calma e terá preferência quem oferecer a vaga para a disputa do governo local, em 2010. Para eles, Meirelles teria aceitação em qualquer sigla do Estado e estaria disposto até mesmo a enfrentar nomes fortes na região, como o senador Marconi Perillo (PSDB), ex-governador de Goiás e que tem planos de voltar a comandar o Estado.

Para políticos locais que participaram recentemente de conversas sobre sucessão no Estado com Meirelles, a prefeitura de Anápolis é pouco para o "ego do presidente". Além disso, eles acreditam que, depois do trabalho que fez à frente do BC, ele tem cacife político para vôos mais altos.
Em 2005, Mares Guia tentou convencer pessoalmente Meirelles a se filiar ao PTB para reerguer o partido em Goiás. Mas o convite não foi aceito.

Matéria retirada do sítio da Folha na internet. Para ir ao sítio da Folha, clique aqui.

Postado por Eduardo Horácio às 03:04 de 20/09/07.
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21/09/07 - Sexta-feira
Césio 137
Um filme que merece ser lembrado
Foto: reprodução do filme

A propósito dos 20 anos do acidente que marcou Goiânia, aqui vão duas matérias do arquivo deste blog:

- Uma matéria sobre o filme Césio 137 - O Brilho da Morte (clique aqui)
- Uma entrevista com o diretor do filme, Luiz Eduardo Jorge (clique aqui)

Postado por Eduardo Horácio às 14:42 de 21/09/07.
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21/09/07 - Sexta-feira
Césio 137
O Pedaço Azul do Inferno
Ilustração: Siron Franco

Por Fernando Gabeira *

Aconteceu. Depois de tanto medo e alarme, aconteceu. No passado, escrevíamos nossos relatos num pedaço de papel, metíamos o texto numa garrafa e lançávamos nosso S.O.S. ao mar. Agora, revestimos de chumbo nosso caderno de notas, compactamos com cimento todo nosso espanto e rezamos para que não se percam. Aconteceu. Aconteceu. Aconteceu em Goiânia o maior acidente nuclear depois de Chernobyl, o maior do Ocidente, conforme anunciaram, pomposamente, algumas manchetes de jornal.

Aconteceu em setembro. No calendário, era primavera, mas os termômetros rondavam os quarenta graus e as cigarras cantavam desesperadamente. As cigarras cantam de manhã, cantam à tarde, cantam à noite. Às vezes, um pequeno grupo delas invade o gabinete do Governador, o ateliê de um artista plástico ou mesmo um corredor de hospital. Nesses anos, as cigarras chegaram um pouco mais cedo e pareciam mais frenéticas do que nunca, como se anunciassem com insistência uma tragédia especial. Seu canto era continuado, infatigável, irritante parecia dizer que a usina da natureza entrou em pane e cada segundo era fundamental para a salvação de Goiânia.

A notícia na sua maior simplicidade era esta: dois catadores de papel recolheram uma bomba de césio-137, abandonada num terreno baldio. Romperam seu invólucro de chumbo com golpes de marreta e descobriram uma cápsula fluorescente, altamente radioativa, que passou a circular na cidade como se fosse uma pedra preciosa, como se fosse um pedaço azul do céu, caído, subitamente, no Bairro Popular para fazer a felicidade dos pobres do planeta.

Quando aconteceu, ninguém sabe ao certo. A primeira notícia vazou no dia 28 de setembro e o episódio, segundo os catadores de papel, começou cinco dias antes. Um sapateiro chamado Felinto de Oliveira confirma a tese de que a bomba sumiu do terreno alguns dias antes. Ele estava na feira hippie de Goiânia, na avenida Goiás, resolveu ir embora para casa e, no meio do caminho, precisou usar o terreno baldio. A bomba de césio estava lá, visível na escuridão, e o sapateiro evitou fazer pipi em cima dela.

Os dados técnicos contradizem esta versão. A bomba de césio-137, produzida na Itália, pesava mais de 600 quilos e não havia indícios de tração no lugar de onde foi retirada. E ali mesmo, no chão onde foi abandonada, havia cocô de gente, cocô seco de gente, indicando que o local estava deserto, há algum tempo.

Mais que importância têm essas pequenas precisões? A bomba foi abandonada pelo Instituto Goiano de Radiologia. Um oficial de justiça andou pelo lugar em abril e registrou, na sua linguagem empolada, a presença de um jovem negro que escapou pelos fundos do terreno. Não viu nenhuma bomba de césio. Além disso, a ultima pessoa que inspecionou a bomba, em nome da comissão Nacional de Energia Nuclear, foi um físico chamado João Emílio. Isto em 1977, dez anos antes do acidente. Essa é a única data precisa do desastre: o inicio de uma década em que a bomba de césio-137 esperou que a livrassem de sua armadura de chumbo para desintegrar-se ao ar livre, numa cidade de quase um milhão e meio de habitantes.

- Se soubesse que ia dar tanto trabalho a vocês e aos médicos não pegaria naquela coisa – confessou um dos catadores de papel que ajudou no transporte da peça mas se contaminou apenas levemente. Ele é uma das 260 pessoas atingidas por um nível de radioatividade considerado acima do normal. Os principais personagens foram internados num hospital militar, o Marcílio Dias, no Rio, e reconstruir a ligação de cada um com a pequena cápsula de césio, com um peso aproximado de 100 gramas, tornou-se um exercício meio frustrante, um passeio no labirinto.

* O texto acima é retirado do início do livro Goiânia, Rua 57 escrito e publicado no ano do acidente, em 1987. Gabeira disponibilizou a íntegra deste livro na internet, para quem quiser fazer download gratuitamente. Basta clicar aqui.

Postado por Eduardo Horácio às 11:58 de 21/09/07.
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22/09/07 - Sábado
Análise
PSDB é governo ou oposição a Alcides?

Teórico do pensamento liberal inglês, o intelectual Isaiah Berlin (1909-1997) deixou boas lições sobre liberdade, esquerda e legitimação de governos. Para o momento atual da política goiana, é certeiro.

O filósofo Renato Janine Ribeiro, que tem estudado o autor, destaca em entrevista recente dois pontos essenciais para o que se chama de legitimidade de um governo:

1) Que, até quem não gosta dele, o reconheça como governo;

2) Que nenhuma frustração com o governo acabe em deslegimitação deste mesmo governante.

Esses dois pontos explicam bem a (não) relação que o governador Alcides Rodrigues (PP) mantém com muitos de seus aliados e a oposição.

Quem mais dá trabalho hoje para Alcides não é a oposição e, sim, a proclamada base aliada.

E, entre tantas críticas que se faz a Alcides, uma pelo menos está excluída: a deslealdade. Ao contrário. Nos dois mandatos de Marconi Perillo (PSDB) à frente do Governo do Estado, Alcides discordou de muitas atitudes do tucano, mas nunca expressou descontentamento em público e nem mesmo colocou em questão seu apoio a Marconi. Concordou com o cerne do governo e passou por cima das questões menores.

Isaiah diz que nenhum governante deve se interessar pelo apoio de quem quer apoiar o governo somente no que concorda.

A razão é que essa pessoa no fundo não apóia o governo. Apóia apenas a si própria.

Para Isaiah, o ideal é que um aliado esteja com o governo quando concorda com o essencial desse governo, mesmo que discorde de questões laterais. Fatiar pontos comuns de interesse é um trabalho que o governo deve fazer com a oposição, não com aliados.

Goiás não tem a ver com a letra de Caetano, mas no fundo é a velha questão de Narciso sempre achar feio o que não é espelho. Cada vez mais, aliados de um governo querem estar ao lado dele apenas nos pontos que interessam a si próprios.

E, assim, a negociação dos chefes do executivo com o parlamento é cada vez mais varejista e menos republicana.

Apoios no atacado como o que o PFL deu ao presidente Fernando Henrique Cardoso e partidos como o PC do B dão ao PT são exceções na política.

No atual governo de Alcides Rodrigues, três partidos em especial dialogam com o governo de forma varejista: o PR de Sandro Mabel, o PTB de Jovair Arantes e o PSDB de Marconi Perillo.

Quando recebem o que querem, PR, PTB e PSDB dão pulinhos.

Quando não recebem, fecham a cara.

É a postura tipicamente narcisista de quem só aceita ser aliado se for agradado o tempo todo. O narcisismo corrói a política porque impede qualquer tentativa de negociação entre diferentes. Se ninguém ceder, o acordo se torna impossível.

Repita-se: ninguém aqui está falando em rendição total de aliados ao todo-poderoso governador. Seria péssimo. Aliás, Goiás já viu este filme várias vezes. A questão é concordar com os pontos essenciais do governo. Se há concordância, os pontos laterais não devem ser motivos de racha.

Mas quando o narcisismo é parte constituinte da identidade do partido, qualquer questão pode levar ao rompimento. No Brasil, em especial em Goiás, dois partidos são assim: o PSDB e o PT.

Não é por acaso que o PT é único partido nacional que, além do PSDB, lançou candidato a presidente em todas as eleições pós-redemocratização.

Por isso, não passa de retórica a idéia de que os petistas não encabeçarão chapa em 2010 a presidente. Em Goiás, o PT só não é cabeça-de-chapa quando o PT nacional (mais narcisista e mais poderoso) obriga.

E, mesmo assim, o partido entra ressentido na aliança. Foi assim com a quase-aliança com Maguito Vilela (PMDB) em 2006, a aliança de última hora com Barbosa Neto (PSDB) no mesmo ano e também deve ser assim se pintar casamento com o PMDB de Iris Rezende em 2008.

O PSDB, desde 1989, tem candidato em todas as eleições presidenciais. Em Goiás, depois da vitória de Marconi em 1998, os tucanos (antes tímidos) também desaprenderam a ser coadjuvantes.

O que hoje mais atrapalha a relação entre PP-PSDB no governo de Goiás é a dificuldade do PSDB de se reconhecer como não-protagonista.

É como se os tucanos se arrependessem, diariamente, de terem aberto a possibilidade para que um pepista (e não um tucano) fosse candidato a governador pela base aliada.

O arrependimento tucano é tão forte (de ter optado por lançar um candidato do PP a governador) que hoje as duas principais estrelas do PSDB - Marconi Perillo e o ex-prefeito Nion Albernaz – trocam diálogos públicos na mídia diariamente reforçando a idéia de que o partido tem de ter candidato próprio na Capital.

Nem que esse candidato seja o próprio Marconi (que faria a loucura de deixar o Senado para isso) ou o próprio Nion (que abriria mão de sua aposentadoria em Morrinhos).

Mesmo não desejando a candidatura, ambos não descartam completamente a possibilidade com medo de abrirem espaço para um outro candidato da base aliada - que, no caso, poderia não ser tucano.

Uma das fantasias de Narciso é que, sem ele, nada acontece. Claro, sua auto-imagem é que o mundo gira em torno do seu umbigo. Se ele não se mexe, o mundo pára.

Mas enquanto Nion e Marconi discutem quem vai liderar o resto da base, esse mesmo "resto" pode estar articulando em silêncio, longe dos holofotes.

Esse mesmo filme esteve em cartaz em 2000, tema já abordado aqui. Por isso, quanto mais rápido o PSDB definir sua posição em relação governo Alcides, melhor para ele próprio.

Assim, deixará de transitar entre situação e oposição. E poderá começar a pensar com seriedade, sem arroubos narcisistas, na eleição de 2008 e em seu próprio futuro político.

Postado por Eduardo Horácio às 10:19 de 22/09/07.
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22/09/07 - Sábado
Futebol
O elogio ao sofrimento

Dunga disse ontem, no Maracanã, que não convoca Alexandre Pato para a seleção brasileira porque todo jogador "tem de sofrer" antes.

Doni, Afonso e Vágner Love sofreram?

E mais: Dunga sofreu como técnico antes de ir para a seleção?

Dunga é a contradição em pessoa. Em todas as entrevistas.

Sem falar da língua portuguesa, que também sofre quando ele abre a boca.

Postado por Eduardo Horácio às 11:53 de 22/09/07.
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23/09/07 - Domingo
Futebol
Nelsinho Baptista é demitido

Não tem nem seis dias que o treinador Nelsinho Baptista disse "não" ao Goiás E.C.

Ele alegou que estava muito bem na Ponte Preta, que joga na Série B do Campeonato Brasileiro.

Pois é. Ele foi demitido hoje dessa mesma Ponte Preta.

Clique aqui para ver a notícia

Postado por Eduardo Horácio às 18:44 de 23/09/07.
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24/09/07 - Segunda-feira
Política
Marcos Valério passou por MG e GO

Embora hoje esquecido pela mídia, Marcos Valério não atuou apenas no governo Lula e no PSDB mineiro. Passou também pelo PSDB goiano, como pode ser visto em breve retrospectiva nas notas abaixo:

- Goiás tem contrato suspeito com SMPB (Folha de S.Paulo) - 21/10/2005
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2110200517.htm

- Governo goiano beneficiou Valério, diz auditoria (Folha de S.Paulo) - 25/01/2006
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2501200619.htm

- Marconi diz em vídeo que aceitaria receber dinheiro de Marcos Valério (Congresso em Foco)
http://congressoemfoco.ig.com.br/Noticia.aspx?id=9823

- Vídeo em que o então governador Marconi Perillo fala pela primeira vez da SMPB em seu governo (Jornal X)
http://www.jornalx.com.br/videos.php

- Vídeo gravado nos bastidores -  veiculado no programa eleitoral do DEM - que diz que Marconi toparia receber dinheiro de Marcos Valério (You Tube):
http://www.youtube.com/watch?v=v9gvL3uMvp8

Postado por Eduardo Horácio às 06:50 de 24/09/07.
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24/09/07 - Segunda-feira
Política
Relatório da PF cita contrato de R$ 6 mi que Marconi fez com SMPB em Goiás
Ilustração: trecho do relatório da Polícia Federal

Dica de leitura: o relatório da Polícia Federal que foi entregue ao Ministro Joaquim Barbosa do STF sobre o mensalão tucano.

No relatório, o tucano Marconi Perillo (hoje senador) foi citado na página 104. O trecho que cita Marconi diz o seguinte:

"Foi recebida a informação de que AMADEU MACHADO FILHO, indicado como beneficiário do cheque compensado no dia 01/09/98 valor de R$ 242.271,17, faleceu no dia 29/11/1998, conforme certidão constante à fl. 2419, motivo pelo qual não foi possível identificar a natureza deste pagamento. Na época do recebimento da quantia acima indicada e até seu falecimento, AMADEU MACHADO FILHO residia em Goiânia/GO, sendo sócio-proprietário do HOTEL VANARTI, localizado na Rua Eugênio Jardim nº 111, Setor Leste Vila Nova, naquela capital. Ressalte-se que no ano de 1998 MARCONI PERILLO foi eleito governador do Estado de Goiás pelo PSDB, sendo que durante sua gestão a empresa SMP&B COMUNICAÇÃO LTDA foi contratada pela Agência de Comunicação Oficial de Goiás – AGECOM, tendo recebido mais R$ 6 milhões entre os anos 2000 e 2003. É necessária a obtenção do afastamento do sigilo bancário da conta corrente nº 209020, agência nº 1235 do Banco Bradesco S.A., de titularidade de AMADEU MACHADO FILHO para se verificar a destinação da quantia de R$242.271,17 oriunda do contrato de mútuo firmado pela SMP&B COMUNICAÇÃO LTDA com o BCN S.A., contrato este posteriormente quitado com recursos da CEMIG. O cheque no valor de R$ 41.000,00, destinado à RENILDA MARIA SANTIAGO no dia 31/08/98, diz respeito à porcentagem que lhe coube pela transação ilícita realizada por MARCOS VALÉRIO."

Nota: o grifo acima é deste blogueiro e não do relatório da PF

Para ler o relatório completo (e até fazer download), clique aqui.

Postado por Eduardo Horácio às 07:53 de 24/09/07.
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26/09/07 - Quarta-feira
Internet
Blogs: 9 milhões de leitores no Brasil

Por Ralphe Manzoni Jr.
do IDG

Quase 9 milhões de pessoas acessam e lêem blogs, de acordo com dados do Ibope/NetRatings de agosto, o que representa 46% do número de internautas ativos no mês.

"Os dados mostram também que o Brasil está no patamar dos Estados Unidos e do Reino Unido, mercados em que o uso de redes sociais é maior que o de blogs, mas atrás de França e, principalmente, Japão", afirma José Calazans, analista do Ibope Inteligência.

Em agosto, de acordo com o Ibope/NetRatings, praticamente 15 milhões de usuários residenciais navegaram em Comunidades (incluindo redes sociais, bate-papos, fóruns e blogs), o que equivale a cerca de 80% do total de internautas ativos domiciliares do mês. Desses, mais de 13 milhões (70% do total de usuários) entraram em redes sociais.

A audiência de ferramentas que reúnem blogs amadores (como WordPress.com e Blogger) em geral é bastante jovem, com metade com idade inferior a 25 anos. No WordPress.com, essa audiência jovem ainda é mais acentuada e chega a ser até mais de 50%.

"É uma audiência mais nova que a dos sites tradicionais de notícias, cuja audiência até 24 anos gira entre 25% e 40% do total de usuários", diz Calazans.

O hábito de navegação de pessoas mais velhas, de escolher determinada página para ler e acompanhar notícias, segundo Calazans, é diferente do de pessoas mais jovens, que procuram informações pelos buscadores.

Ao realizar as buscas, os jovens acabam caindo em páginas amadoras, mesmo que essas fontes não usufruam da mesma credibilidade do jornalismo tradicional.

"E sabe os que eles buscam, além de temas humorísticos e pornográficos? Resolver seus problemas com trabalhos escolares, pegar música distribuída na rede, informações sobre como usar o eMule, como baixar um programa que consiga desbloquear o celular para usar em outra operadora e por aí vai."

Em outros países, os blogs mais populares não são ligados à Wired. Os mais vistos versam sobre hobbies, sobre assuntos de casa, como "Como consegui mudar a pintura da casa sem gastar uma fortuna", ou "Como pescar mais usando iscas naturais".

Clique aqui para ir ao site do IDG

Postado por Eduardo Horácio às 13:26 de 26/09/07.
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28/09/07 - Sexta-feira
Imprensa
Você é canhoto? Cuidado!

O problema atual da revista Veja é achar que lidera uma cruzada contra a esquerda no mundo todo.

Nessa cruzada, acaba por ver fantasmas. Afinal, ela é a única ainda a acreditar, por exemplo, que Lula e o PT são de esquerda.

Do nada, do nada, esta semana o alvo é o ex-guerrilheiro Che Guevara (clique aqui para visualizar a capa).

Para criticá-lo publicamente, vale tudo. Até mesmo sua vida particular, incluindo sua higiene pessoal. Tanto que a matéria da revista abre com os seguintes dizeres:

Há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa

"Não disparem. Sou Che. Valho mais vivo do que morto." Há quarenta anos, no dia 8 de outubro de 1967, essa frase foi gritada por um guerrilheiro maltrapilho e sujo metido em uma grota nos confins da Bolívia. Nunca mais foi lembrada. Seu esquecimento deve-se ao fato de que o pedido de misericórdia, o apelo desesperado pela própria vida e o reconhecimento sem disfarce da derrota não combinam com a aura mitológica criada em torno de tudo o que se refere à vida e à morte de Ernesto Guevara Lynch de la Serna, argentino de Rosário, o Che, que antes, para os companheiros, era apenas "el chancho", o porco, porque não gostava de banho e "tinha cheiro de rim fervido".

Che, no entanto, não tem a força que Veja atribui a ele ainda hoje.

A imagem do revolucionário não passa, hoje, de um símbolo capitalista. Impresso em camisetas, principalmentes.

Que, entre outras coisas, dá dinheiro. Assim como as visitas ao túmulo de Lênin, por exemplo.

Ao criticar Che, a revista acaba reforçando o mito que se criou, em vez de desconstruí-lo. Entre outras coisas, porque a rejeição atual dos leitores brasileiros à revista é, talvez, maior do que a aceitação.

Postado por Eduardo Horácio às 19:29 de 28/09/07.
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29/09/07 - Sábado
Política
Sandro Mabel X Iris Rezende?

Essa história de Sandro Mabel (PR) transferir seu título eleitoral de Aparecida de Goiânia para Goiânia para ser candidato a prefeito da capital em 2008 não passa de conversa fiada.

A tática de Mabel é mostrar ao PMDB que ele topa enfrentar Iris se Maguito resolver enfrentar seu grupo (de José Macedo e Ademir Menezes) em Aparecida.

Maguito pode ficar tranqüilo. Pode se candidatar a prefeito de Aparecida sem medo.

Mabel pode até transferir seu título eleitoral para Goiânia. Mas jamais enfrentaria Iris Rezende nas circunstâncias atuais.

Falta muita coisa a Sandro Mabel, mas há algo que sobra: senso de realidade.

Postado por Eduardo Horácio às 08:24 de 29/09/07.
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29/09/07 - Sábado
Encontro
Marconi e Arruda na festa de Kakay

Veja, abaixo, notícia publicada ontem no Jornal Pequeno, de São Luís (MA).

Festa de arromba

Por Ucho Hadda

Discurso do aniversariante e champanhe francês Veuve Cliquot à vontade durante toda a noite. Assim foi o rega-bofe oferecido por Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, aos mil convidados que em Brasília comemoraram os cinqüenta anos de um dos mais requisitados advogados da corte. Na festança, que aconteceu no final de semana, estavam presentes a família Sarney (José, Roseana e Zequinha, além de Jorge Murad), o senador Marconi Perillo, o ex-ministro Sepúlveda Pertence (STF), além do governador do DF, José Roberto Arruda, e a namorada Flávia.

Entre ao advogados que compareceram ao beija-mão estava o criminalista Roberto Podval, que trocou a Paulicéia Desvairada por Brasília. Podval, para quem não se lembra, é o defensor de Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, acusado de ser o mentor intelectual do assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel. Em tempo: uma conhecida figurinha carimbada da Corte, que freqüenta as esferas palacianas e é dado a mergulhos desnecessários e escandalosos, não compareceu à festa de Kakay. O anfitrião isolou a piscina.

Postado por Eduardo Horácio às 10:32 de 29/09/07.
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29/09/07 - Sábado
Análise
Iris Rezende quer mesmo o PT?

Historicamente, o prefeito Iris Rezende (PMDB) e o PT nunca se deram bem.

Mais do que isso, a natureza ideológica e programática de ambos nunca coincidiu.

As entrevistas que Iris concedeu este ano, lidas nas entrelinhas (e também fora delas) deixam isso claro novamente, como se verá a seguir. Além desse fato, uma rápida olhada na histórica relação entre os dois partidos também mostra mais diferenças do que semelhanças.

Nas duas vezes em que foi governador, o PT foi oposição a Iris. Em 1998, quando Iris tentou se eleger pela terceira vez governador, o PT deu um apoio decisivo a Marconi Perillo (PSDB) no segundo turno da eleição.

Em 2004, quando se candidatou a prefeito, Iris cresceu em popularidade justamente no momento em que mais atacou a gestão do então prefeito Pedro Wilson (PT). Este, candidato à reeleição, passou a campanha toda atacando Iris.

Se regionalmente, Iris e PT não se bicam, nacionalmente a história ainda é pior.

Em 1989, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lutava para ser presidente da República na primeira eleição direta para presidente pós-redemocratização, o então ministro Iris indicou o peemedebista Lázaro Barbosa para ser coordenador em Goiás da campanha de Fernando Collor (PRN).

Nas duas eleições presidenciais seguintes, Iris deu apoio velado (em 1994) e declarado (em 1998) a Fernando Henrique Cardoso (PSDB) contra Lula. Tanto que o apoio de 1998 foi recompensado: Iris virou ministro da Justiça no governo tucano. Isso, mesmo com FHC pertencendo ao PSDB, partido rival de Iris no Estado.

Em 2002, quando Maguito tentou levar o PMDB goiano ao palanque de Lula, Iris deu pelo menos duas entrevistas dizendo que preferia seu partido ao lado de José Serra (PSDB).

A história não acaba aí.

Em 2006, quando PT fez de tudo para indicar o vice de Maguito Vilela (PMDB), Iris lavou as mãos no processo. Não moveu um dedo para que Maguito aceitasse a opção do PT por Valdi Camárcio na vice de Maguito.

Com o PT na coligação, o PMDB teria pelo menos cinco minutos a mais de tempo de televisão que a candidatura de Alcides Rodrigues (PP) e ainda impediria o nascimento da candidatura de Barbosa Neto (PSB). Maguito e Iris expulsaram o PT e optaram por uma chapa pura.

Que redundou em derrota, mesmo com o arrependimento tardio no segundo turno, quando Maguito e Iris foram atrás do PT.

Este ano, Iris manifestou o desejo de contar com o PT na sua administração e na coligação da candidatura à reeleição ano que vem. O PT ainda hesita. Já Iris diz "sim" querendo dizer "não"

Vamos pegar apenas a entrevista mais recente de Iris, dada na quarta-feira, 26, à Rádio 730, para comprovar esse fato.

Aos jornalistas da 730, Iris diz que só ele investe em saúde e que os governos federal e estadual não ajudam em nada.

Iris também manifestou uma indignação: afirmou que o governo Lula fica com 70% dos impostos e não distribui nada para os municípios. É verdade o que ele diz? Sim. Mas é o tipo de verdade que não se diz se Iris quisesse mesmo ter o PT de Lula como aliado.

Não é só do PT nacional que Iris fala mal. Ele também volta a atacar o PT regional.

Tanto que lembrou, por duas vezes, que recebeu a prefeitura "muito endividada" do seu antecessor (que era o petista Pedro Wilson). E foi além: "não foi um débito consolidado que assumi, foram dívidas de 2004 mesmo", enfatizou. 

Iris criticou também a forma como a saúde era tratada na gestão anterior, tanto que a marcação de consultas por telefone - criada por Nion Albernaz - só teria sido reativada agora.

"E quando eu peguei a prefeitura, os Cais não funcionavam 24 horas. Agora funcionam", diz Iris, novamente criticando seu antecessor, Pedro Wilson. Sem contar os auto-elogios no seu tema preferido: asfalto.

Aliás, a gestão de Iris na prefeitura é diametralmente oposta à de Pedro Wilson.

Ambos têm prioridades diferentes, estilos opostos e ideologias nada parecidas. Iris está errado em criticar o PT? Não necessariamente.

O problema, aqui, é o fato dele estar forçando uma aliança que é contra seus próprios princípios e que, no futuro, pode acabar causando mais danos.

Afinal, se Iris vai passar a campanha de 2008 dizendo o que consertou o que estava errado na gestão de Pedro Wilson, não é no mínimo constrangedor ter este mesmo Pedro e todo o PT em seu palanque?

Uma aliança entre PMDB e o PT é algo para se pensar com cuidado.

Até porque o eleitor anda cansado de alianças transgênicas. E uma aliança forçada quase sempre acaba em rompimento precipitado.

Postado por Eduardo Horácio às 19:32 de 29/09/07.
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29/09/07 - Sábado
Telenovela
‘Marconi Ferraço’ é o vilão

Involuntariamente, a nova novela das oito da Rede Globo faz nascer, pelo menos em Goiás, uma boa piada.

Está no release de Duas Caras, nova novela da Globo:

O ator Dalton Vigh interpretará, na novela Duas Caras, o personagem "Marconi Ferraço".

Mas o nome real dele na novela é Adalberto Rangel. Só depois que faz cirurgia plástica e muda de rosto, adota nova identidade.

E a partir daí, passa a se chamar Marconi Ferraço, que deixa de ser golpista para virar empreiteiro.

Leia o release completo do personagem clicando aqui.

Postado por Eduardo Horácio às 20:04 de 29/09/07.
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O que Marconi quis dizer com a frase "Eu esperei esse debate como o vigia espera o alvorecer" dita depois do debate da OJC de 31 de agosto?
Que, assim como um vigia, queria ir embora logo do debate;
Que ele está vigiando os adversários até de madrugada;
Que ele não estava nem aí para o debate (ou o alvorecer)
Que depois de Lua Nova e Eclipse ele mal pode esperar pelo Alvorecer
 
 
 
 
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