Arquivo Mensal
02/07/07 - Segunda-feira
Análise Política
Por que os goianos são tímidos?
Historicamente, a participação de Goiás no cenário nacional se resume a 3%. Esse porcentual, aproximadamente, indica o tamanho do PIB goiano em relação ao nacional, o tamanho do eleitorado, a taxa de consumo, a quantidade de indústrias, a maioria das estatísticas. É só consultar IBGE e outros órgãos e ver que os 3% são a marca do Estado.
O que fazer para ultrapassar essa barreira dos 3%? Há milhões de alternativas, mas poucas são tão eficientes quanto a saída política: o tamanho de um Estado é proporcional ao tamanho de seus representantes. Afinal, por que em ações como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Estados bem menores do que Goiás conseguem mais verbas?
Leia a continuação deste texto clicando aqui.
Postado por Eduardo Horácio às 12:09 de 02/07/07.
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02/07/07 - Segunda-feira
Cada vez pior
O ‘Cultura Zero’ de Alcides continua...
Quem informa é Marcus Fidelis, em seu blog Entreatos:
- O governo de Goiás deixou de pagar pela vigilância do Centro Cultural Martim Cererê. Sem guarda, já houve quatro arrombamentos, em que foram levados boa parte dos equipamentos dos teatros e mesmo os computadores da administração.
- O que sobrou foi levado para a Agepel e trancado. Quem quer utilizar um dos dois teatros precisa alugar todo o equipamento. É o que estão fazendo os organizadores do III Festival Internacional do Corpo Ritual. Nessas condições, a solução encontrada pelos professores foi levar o espetáculo dos alunos para o Teatro Marista. - Pior é lembrar que o equipamento de iluminação foi comprado com recursos da Lei Goyazes, em projeto feito pela administração anterior do Martim Cererê, através da FETEG, como já noticei desde 2005. Isso, depois de anos de reivindicação da categoria.
- O Martim Cererê, alías, antes dos larápios, já tinha sido vítima do canibalismo do Goiânia Ouro, para onde se transferiram seu diretor, parte dos funcionários, público e programação.
Postado por Eduardo Horácio às 15:51 de 02/07/07.
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08/07/07 - Domingo
Análise Política
A nova face de Maguito
| Foto: Paulo José |
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A candidatura de Maguito Vilela (PMDB) em Aparecida de Goiânia, praticamente concretizada, revela uma face inédita do ex-governador: a ousadia. Até hoje, Maguito nunca deu demonstrações de atrevimento em sua vida pública. Mais do que isso, quase sempre foi empurrado por aliados ou pelas circunstâncias.
Iris Rezende, Marconi Perillo, Lúcia Vânia, Henrique Santillo, todos eles tiveram vários momentos de mais arrojo. Iris, companheiro de partido de Maguito, foi ousado várias vezes. Tanto que, até aos 70 anos, em 2004, topou inesperadamente ser candidato a prefeito de Goiânia.
Mas Maguito não. Quando se filiou a um partido político no fim dos anos 70, preferiu a Arena. Era a opção conservadora, era o partido da ditadura militar. Quando foi deputado, foi empurrado pela região Sudoeste, especialmente Jataí. Depois, preferiu escorar na sombra de Iris Rezende, sendo vice-governador de 1991 até 1994, ano em que, finalmente, foi candidato a governador. Completo desconhecido, encostou em seu poderoso cabo eleitoral, Iris, que lhe o carregou por todo o Estado até que ele virasse a eleição e ganhasse de Ronaldo Caiado e Lúcia Vânia, os principais adversários.
Em 1998, sentado em cima de sua popularidade, teve uma eleição fácil para o Senado. Em 2002 e 2006, sempre empurrado pelo partido, foi candidato a governador e conheceu as duas primeiras derrotas de sua carreira política. Uma coincidência: Iris, quando foi eleito prefeito de Goiânia em 2004, também vinha de duas derrotas consecutivas: em 1998 para governador e em 2002 para o Senado.
Agora Maguito tem a chance de surpreender a todos, confirmando sua candidatura em Aparecida de Goiânia. A candidatura é supreendente e ousada por vários motivos: 1) Maguito deixa Jataí, sua terra natal e domicílio eleitoral. É grande a chance de seus conterrâneos ficarem magoados; 2) Mesmo sendo ex-governador e ex-senador, vai topar se aventurar em uma eleição municipal; 3) Escolheu para disputar justamente a eleição de Aparecida, uma cidade hoje cheia de problemas e em fase de crescimento descontrolado; 4) Escolheu para morar no lugar "menos Aparecida" de Aparecida: o Jardins Viena, um condomínio horizontal que lembra mais Zurique do que qualquer cidade goiana, o que pode irritar seus potenciais futuros eleitores; 5) Corre o risco de ter sua candidatura cancelada, tal qual Neyde Aparecida (PT) e Enio Tatico (PTB) que, em 2004, não conseguiram viabilizar suas postulações.
Mas Maguito, obviamente, corre todos esses riscos porque sabe que é sua melhor saída política. Está hoje escondido em um cargo no Banco do Brasil. Se não se mexer agora, estará condenado a ser eternamente candidato a deputado federal. Sacudindo sua vida política, sendo prefeito da segunda maior cidade do Estado, volta ao centro da política goiana e deixa de ser coadjuvante.
Vencendo em Aparecida, Maguito e o PMDB estarão incomodando o vice-governador do Estado, Ademir Menezes (PR), que é ex-prefeito da cidade. A candidatura de Maguito pode inclusive rachar ainda mais a Base Aliada, principalmente se o PR (controlado por Sandro Mabel) pelo menos considerar a hipótese de apoiar Maguito, antes ou depois de ser eleito, o que não é impossível. Vale lembrar que a atual administração de José Macedo não é bem vista pela população, tanto que ele nem deve se candidatar à reeleição.
Maguito terá uma facilidade que não deve ser descartada: a candidatura à reeleição em Goiânia de Iris Rezende. Iris e Maguito poderão fazer uma campanha conjunta, com um puxando voto para o outro, principalmente porque os eleitores e moradores das duas cidades se confundem. Há muitos moradores de Goiânia que votam em Aparecida e vice-versa.
Há, ainda, outra facilidade semelhante: se o PMDB, com Iris, praticamente asfaltou toda a capital, Maguito pode agora prometer o mesmo na cidade vizinha. Credibilidade ele terá: está no PMDB de Iris. Demanda, também: é asfalto o principal desejo da população mais carente da cidade. E Maguito teve mais votos que Alcides Rodrigues (PP) em Aparecida nos dois turnos da eleição para governador justamente porque prometia asfaltar o município.
Mas a principal vitória que Maguito teria, ao vencer uma eleição em Aparecida de Goiânia, é a de se reabilitar politicamente, tal como Iris. Hoje, dez entre dez peemedebistas dizem que o atual prefeito de Goiânia é candidato a governador em 2010. Maguito, vindo de duas derrotas consecutivas, ainda é novo o suficiente para, em 2014 ou 2018, voltar a disputar o governo do Estado. Mas, para isso, precisa voltar ao centro da política. E a opção oportuna agora é ser prefeito. Pode até dar errado, mas ele poderá dizer, depois, que pelo menos tentou.
Postado por Eduardo Horácio às 01:07 de 08/07/07.
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15/07/07 - Domingo
Análise Política
Pesquisa Ecope: E não é que o ‘Tempo Novo’ foi engolido pelo PMDB?
Se a idéia já era forte na prática, agora está comprovada por números: o grupo político que se autodenomia "Tempo Novo" está sendo engolido por seu principal adversário, o PMDB.
Quem reitera isso, em números, é a pesquisa Ecope divulgada na quarta-feira, 11, pelo Diário da Manhã. As estratégias políticas da aliança liderada por PP e PSDB mostraram-se ineficientes e, algumas delas, até serviram para melhorar o discurso do adversário.
A começar pelo debate da dívida. Quando o eleitor goiano é perguntado sobre de quem é a culpa pelo endividamento do Estado, Alcides Rodrigues (PP) vem na frente com 30,8%, logo seguido por Marconi Perillo, com 29,2%. Só 10,8% acham que a culpa é de Maguito Vilela (PMDB) e 9% apontam para Iris Rezende (PMDB). Os números mostram que Marconi vai se dar mal se continuar tentando jogar qualquer tipo de responsabilidade em Alcides. O eleitor identifica que os dois estão juntos e, portanto, devem dividir o ônus.
Outra amostra disso é o fato de, na pesquisa, o primeiro mandato de Marconi ter nota maior do que o segundo mandato. O eleitor, aos poucos, vai identificando no segundo mandato tucano a origem do envidividamento de hoje. E, por isso, começa a avaliá-lo mal, diferentemente do que fazia antes.
Foi tentando fugir do debate da dívida que Marconi Perillo lançou um factóide: sua possível candidatura a prefeito de Goiânia no ano que vem.
De certa forma, desviou o assunto. Mas lançou um problema para ele mesmo: agora vai recuar? Se recuar, quais as conseqüências? Ao se lançar candidato, Marconi colocou seu nome na roda. E o instituto Ecope também o colocou na cartela de candidatos.
O resultado não é nada bom para o tucano que se orgulha de ter derrotado o PMDB duas vezes: Iris tem 29,8% contra 22,7% de Marconi na sucessão da prefeitura.
Se não inventasse essa possível candidatura, Marconi não teria de ter visto essa pesquisa. E Iris não estaria tão fortalecido como está agora.
Mas se Iris é melhor avaliado que Marconi na disputa pela prefeitura, o mesmo não acontece com os dois nomes colocados na disputa para governador. Nesse cenário, mirando o ainda distante 2010, Marconi vem em primeiro lugar com 41,9%, com Iris em terceiro lugar. E quem é segundo? Maguito... Maguito? Pois é, mesmo após duas derrotas consecutivas para governador, quem aparece em segundo é Maguito e não Iris, como era de se esperar. Maguito tem 25,5% contra 13,6% de Iris.
Está óbvio que a pesquisa está distorcida (e favorável a Marconi) com dois peemedebistas em um mesmo cenário. Mas essa distorção acaba revelando que o eleitor prefere Iris prefeito e Marconi governador.
O clichê recomenda: a pesquisa mostra o momento atual. Iris é favorito, mas pode perder a eleição do ano que vem. Inclusive para Marconi, se ele porventura mantivesse sua intenção de ser candidato.
E Marconi também não é imbatível em 2010. Até lá, se reeleito prefeito, Iris provavelmente terá uma intenção de voto para governador maior do que apresenta hoje. O fato dele ser prefeito (e só ser lembrado como tal) - e também da candidatura passada de Maguito ainda estar forte na memória do eleitor - atrapalham bastante a elevação de seus índices.
Com relação a 2008, a pesquisa mostra que as chances eleitorais de Nion Albernaz (PSDB) são hoje minúsculas. Na disputa pela prefeitura, ele aparece com 4,8% das intenções de voto, o que deve fortalecer sua idéia de continuar aposentado da política.
O levantamento do Ecope também mostra, pelo menos por ora, que a corrida pela prefeitura da capital será polarizada por PMDB de um lado e PP-PSDB do outro. Duas ressalvas recomendadas pela experiência: o PT sempre cresce no período eleitoral da disputa em Goiânia e o PFL nunca deve ser desprezado.
Mas quem deve se preocupar mesmo com a pesquisa é Alcides Rodrigues. Sua popularidade lembra os dias finais do governo Henrique Santillo (1987-1990).
É considerado ruim por 15,5% e péssimo por 27,6%. São índices altos demais para quem foi reeleito há menos de oito meses.
A diferença de Alcides para Santillo é que o segundo só ficou impopular no fim do mandato. Alcides corre esse risco no início. A memória de Santillo só foi recuperada mesmo depois dele morrer. Já Alcides tem três anos e meio para se recuperar, azeitar a máquina e colocá-la nos trilhos. Tempo há. Falta mudar o rumo.
Postado por Eduardo Horácio às 01:00 de 15/07/07.
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22/07/07 - Domingo
Análise Política
Barbosa vai cair de novo? E se não cair?
Em 2003, Barbosa Neto saiu do PMDB rumo ao PSB com um objetivo claro: ser candidato a prefeito de Goiânia no ano seguinte. No PMDB ele alegava não ter espaço. No dia da filiação ao PSB, Marconi Perillo (PSDB) comandou a festa e chegou a dizer a frase que hoje já é folclore: "seu sonho, Barbosa, é o meu sonho". O tucano se referia à meta de Barbosa ser candidato a prefeito de Goiânia, alimentada desde o início de sua carreira.
No ano seguinte, o PSDB puxou o tapete de Barbosa e lançou Sandes Júnior (PP) candidato a prefeito.
Em 2006, foi candidato a governador de última hora, quando a aliança PMDB-PT deu errado. Não houve tempo para construir uma candidatura viável. Principalmente porque Barbosa ouviu demais, negociou demais, esperou demais, perdeu o tempo para que sua candidatura largasse com força. Tentou ser candidato com apoio de PR e PTB, tentou ser vice de Alcides, tentou ser vice de Maguito e, por fim, acabou candidato.
Agora, Marconi Perillo repete 2003: diz que Barbosa Neto deve ser o candidato da base aliado. Mais do que isso, deseja que ele se filie ao PSDB. Barbosa não disse "sim" e nem disse "não". Fiel ao seu estilo, está empurrando sua candidatura com a barriga. No entanto, ainda está em tempo de decidir. Se esperar demais, vai ser tarde outra vez.
Barbosa vai cair de novo? Enganado uma vez, vai cair de novo na promessa do tucano? O óbvio nesse caso é dizer "não" a Marconi. Ser ludibriado uma vez é normal. Acontece com todos. Ser tapeado duas vezes pela mesma pessoa é vexame na certa. Mas se Marconi estiver dizendo a verdade e quiser mesmo que Barbosa Neto seja o candidato? Neste caso é uma chance de ouro. Ele sabe que, sozinho no PSB, tem chances quase nulas na sucessão de Goiânia. Apoiado por Alcides e Marconi, ele entra no páreo para enfrentar Iris. A questão é confiar ou não confiar.
Independente da opção dele (confiar ou não), a opção tem de ser rápida. Ele pediu tempo para pensar, o que é ruim na política. Entre políticos, não há quem goste de quem protela: passa a idéia de hesitação, de falta de ousadia, de pouco arrojo. Pior do que decidir por uma coisa ou outra é esperar demais e ser atropelado pelos fatos.
Políticos experientes lançam suas candidaturas antecipadamente, negam qualquer possibilidade de recuo e, lá na frente, se não houver viabilidade, acabam recuando. Barbosa faz o caminho inverso: não se lança candidato pra valer e espera. Espera, espera, espera. Com isso, é atropelado por quem não espera.
Nomes altamente conhecidos da população, como Marconi, Alcides, Lúcia Vânia, Nion Albernaz nem precisariam se lançar candidatos a alguma coisa com tanta antecipação. Não precisam ter pressa. Mas ainda assim, agem rápido. Lúcia Vânia foi candidata ao Senado em 2002 de tanto bater o pé e nunca recuar. Nion Albernaz, em 1996, se lançou candidato muito antes da eleição, mesmo antes da base aliada estar unida. Falta isso a Barbosa. E olha que, mesmo tendo sido candidato a governador em 2006, Barbosa Neto ainda é pouco conhecido da população.
Há um outro problema: dentro do PMDB, imaginava-se que Barbosa era apagado porque não tinha espaço no partido. Hoje o tempo mostra que a tese era furada. Agora no PSB, Barbosa reina e manda sozinho. Mas, ainda assim, segue apagado. Foge da imprensa, prefere se esconder e não protagoniza polêmicas cotidianas. Para o eleitor, está no grupo de políticos que só aparecem em momentos eleitorais.
Para ser candidato a prefeito com chances reais de vitória, não basta a Barbosa ter apoio de Alcides, Marconi e de muitos partidos. Ele precisa mudar seu estilo. Se não ousar, se não se antecipar, estará condenado a ser eternamente o candidato a prefeito que nunca foi.
Postado por Eduardo Horácio às 01:00 de 22/07/07.
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29/07/07 - Domingo
Análise Política
ACM foi mesmo o último coronel?
| Foto: Paulo José |
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Com a morte de Antonio Carlos Magalhães, vários jornais estamparam como manchete: "Morre o último coronel". Será? O que dizer de José Sarney (Maranhão e Amapá), Joaquim Roriz (Distrito Federal) e Siqueira Campos (Tocantins)? Embora estejam mais em baixa do que em alta, não perderam a aura de coronéis. E o que dizer dos pós-modernos? Ciro Gomes e Tasso Jereissati (Ceará), Blairo Maggi (Mato Grosso), Aécio Neves (Minas Gerais) e Roberto Requião (Paraná)?
E, claro, Goiás não está de fora: Iris Rezende e Marconi Perillo estão aí politicamente vivíssimos.
Coronéis como Marconi e Iris ainda existem - e outros estão nascendo - por uma simples razão: é esse o desejo do eleitor e dos próprios políticos. Enquanto esse desejo não morrer, o caldo de cultura também não finda.
O eleitor - muitas vezes à procura de um segundo pai - encontra no político centralizador e dominador sua melhor referência. Não é por acaso que muitos coronéis são associados diretamente à figura paterna. Getúlio Vargas era o "pai dos pobres". ACM era chamado de "paizinho".
Daí também que muitos eleitores - e até jornalistas - enxergam com bons olhos os tais coronéis. É comum ouvir que a Bahia não seria a mesma sem ACM. Ou que Goiás deve muito a Iris e Marconi.
Como se todos esses coronéis subtraíssem dinheiro do bolso ao assumirem o comando de seus Estados. Mas está aí mesmo o segredo dos coronéis: personalizar ações que, na verdade, são feitas pelo Estado.
Se as ruas estão asfaltadas, a maior parte dos eleitores diz que foi obra de Iris. Se existem programas sociais, o mérito é de Marconi. Pouca coisa muda enquanto o eleitor não quiser entender que ações do Estado são impessoais e, portanto, direitos garantidos. Nunca um favor do coronel de plantão.
O coronel é coronel porque geralmente é habilidoso para confundir público e privado. Consegue convencer seus aliados e eleitores de que ele é pessoalmente responsável pelas obras e ações estatais. Não é raro encontrar auxiliares de um governador, por exemplo, que se anulam por completo em função do chefe do executivo.
Iris e Marconi, por exemplo, agem assim. Se algo dá errado na prefeitura, a culpa é do secretário. Se dá certo, o mérito é de Iris. Tanto que poucos conseguem se lembrar do nome de pelo menos três secretários de Iris na prefeitura. Com Marconi, cria de Iris, idem. Quantos secretários de Marconi, em seus dois mandatos de governador, não assumiram ônus que não eram seus?
O coronel também só é coronel porque não tem medo de arriscar. Poucos políticos, em 1998, deixariam uma reeleição tão confortável para a Câmara dos Deputados para concorrer ao cargo de governador e enfrentar o todo-poderoso Iris Rezende. Marconi Perillo foi o único a topar o desafio.
Em 2004, depois de duas derrotas humilhantes para governador e senador, ninguém imaginava que Iris Rezende seria candidato a prefeito de Goiânia. Seria um retrocesso em sua carreira e um risco enorme. Iris se arriscou, acertou e hoje é um forte candidato a governador.
Os coronéis também têm outra característica: não deixam herdeiros. Marconi controlou sua sucessão escolhendo Alcides Rodrigues para ser candidato porque ele só poderia cumprir um mandato, não podendo se recandidatar em 2010, abrindo espaço novamente para Marconi. E, também, porque Alcides tem um perfil completamente diferente dele. Na eleição para a prefeitura de Goiânia em 2004, Marconi forçou a base aliada a escolher Sandes Júnior (PP) nas prévias porque temia que Barbosa Neto (PSB), uma vez escolhido, se tornasse seu concorrente. Já Sandes tem um perfil muito diferente de Marconi. Daí a escolha.
Com Iris dá-se o mesmo. O único nome que ele formou foi Maguito Vilela, que jamais se portou como concorrente à altura. Não chega a ser um herdeiro e, ademais, sempre lhe foi obediente. Iris está na política há mais de 50 anos e, quando se aposentar, não terá deixado ninguém para ocupar seu espaço. Marconi Perillo também não deixou. E nem deixará. ACM fez o mesmo. Assim acontece com todos. No fundo, são narcisistas. Não admitem concorrentes no presente e nem no futuro.
É o narcisismo que faz nascer neles uma característica que, no início, ajuda a dar confiança. Depois, provoca a ruína. Eles adoram bajuladores. Costumam se cercar deles: gente que só elogia e nada critica. Coronel, antigo ou pós-moderno, gosta mesmo é de ser o centro das atenções. Não se conforma com menos. Quando perde o poder, faz de tudo para retomá-lo.
Por tudo isso, o mundo ficaria melhor sem os coronéis. Mas enquanto os eleitores e o próprio meio político não mudarem, os coronéis também não acabam. Se tornam mais modernos, sutis, se adaptam aos novos tempos, mas continuam sendo coronéis.
E o futuro não parece ser melhor: com um mundo cada vez mais narcisista, a tendência é que novos ACMs surjam, em vez de acabarem.
Postado por Eduardo Horácio às 01:27 de 29/07/07.
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